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Cura do Concreto

Cura do concreto é o processo que a maioria das obras residenciais pula — e é exatamente por isso que tanto concreto fica abaixo da resistência prevista. O concreto não seca: ele reage quimicamente (hidratação do cimento) e essa reação precisa de água durante os primeiros dias. Se a água evaporar rápido demais, a reação para antes de completar e a estrutura fica mais fraca e mais porosa.

A resistência do concreto cresce assim ao longo do tempo:

  • 3 dias: ~40% da resistência final
  • 7 dias: ~65%
  • 14 dias: ~85%
  • 28 dias: ~100% (o que é especificado no projeto)

Métodos de cura:

  • Molhagem — jogar água sobre a superfície concretada 2-3 vezes por dia nos primeiros 7 dias. O mais simples e eficiente pra lajes
  • Lona plástica — cobrir a superfície logo após o acabamento. Retém a umidade sem precisar molhar constantemente
  • Cura química — aplicar produto químico membrana-de-cura em spray logo após concretar. Forma uma película que retarda a evaporação. Prático em grandes áreas
  • Sarrapilha úmida — tecido de juta ou fibra molhado, muito eficiente em pilares e vigas

Exemplo prático: contrapiso de 40 m² concretado em dia de 32°C em SP. Sem cura, a superfície seca em horas — a camada superficial retrai e aparecem microtrincas de retração que depois viram estalo ao pisotear. Com dois dias de molhagem duas vezes por dia e lona nas horas mais quentes, o contrapiso fica uniforme e resistente.

Temperatura extrema em ambos os lados prejudica: calor seca demais (cura acelerada demais); frio abaixo de 5°C retarda a hidratação e pode parar o processo completamente. Em SP, o frio não costuma ser problema, mas verão exige atenção redobrada.