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Tipos de argamassa: colante AC-I a AC-III, rejunte cimentício e epóxi, reboco e emboço — preço por saco, rendimento e quando usar

7 tipos de argamassa com preço por saco de 20 kg, rendimento por m² e indicação de uso. Tabela comparativa das ACs com dados SINAPI SP jan/2026 e NBR 14081.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Argamassa AC-III a R$ 2,46/kg (SINAPI, SP, janeiro/2026) x 9,13 kg/m² (consumo médio para porcelanato 60x60) = R$ 22,45 por metro quadrado só de cola. Some a mão de obra do azulejista (R$ 18,42/m²) e o rejunte (R$ 0,66/m²), e o revestimento do piso já custa R$ 41,53/m² antes de comprar uma única placa. Quem escolhe os tipos de argamassa sem olhar essa conta gasta mais do que deveria — ou, pior, economiza no produto errado e reabre a obra em seis meses.

Os tipos de argamassa residencial se dividem em três famílias: colante (AC-I a AC-III, para assentar pisos e revestimentos), rejunte (cimentício, flexível e epóxi, para vedar as juntas) e revestimento (reboco, emboço e chapisco, para preparar paredes). Cada família segue norma técnica própria da ABNT — a mais citada é a NBR 14081, que classifica as argamassas colantes por desempenho. Abaixo está o detalhamento de cada tipo de argamassa, com preço por saco, rendimento por m² e quando usar cada uma.

Argamassa colante: AC-I, AC-II e AC-III

Argamassa colante é o produto industrializado que fixa cerâmica e porcelanato em pisos e paredes. A diferença entre os tipos está na aderência e na resistência a variações de temperatura. A NBR 14081 da ABNT define quatro classificações.

AC-I serve para ambientes internos sem grande solicitação mecânica. Cozinha, banheiro, sala — tudo dentro de casa. Funciona bem para cerâmica convencional de até 60x60 cm. O saco de 20 kg custa entre R$ 15 e R$ 22 no varejo (março/2026). Rendimento médio: 4 a 5 kg/m² com desempenadeira dentada de 6 mm.

AC-II aguenta variações de temperatura e umidade. É a argamassa para áreas externas: varandas, garagens, fachadas, piscinas de água fria. Também resolve em pisos de alto tráfego dentro de casa, como corredores comerciais. Saco de 20 kg: R$ 22 a R$ 35. Rendimento: 4 a 6 kg/m².

AC-III é a mais aderente. Obrigatória para porcelanato retificado acima de 60x60 cm, saunas, piscinas de água quente, fachadas com insolação direta e qualquer superfície que sofra grande variação térmica. O saco de 20 kg sai de R$ 30 a R$ 45. Rendimento: 5 a 9 kg/m², dependendo do formato da peça e se exige dupla colagem.

O sufixo “E” (AC-II E, AC-III E) indica tempo aberto estendido. A argamassa mantém as propriedades de aderência por mais tempo depois de espalhada — cerca de 20 minutos em vez de 10. Obrigatório para peças grandes onde o assentador precisa de mais tempo de ajuste.

Comparativo de custo por m² das argamassas colantes AC-I, AC-II e AC-III, com barras horizontais mostrando faixa de preço
Custo por m² da argamassa colante varia de R$ 3,00 (AC-I em cerâmica pequena) a R$ 22,45 (AC-III em porcelanato 60x60) — dados SINAPI SP, jan/2026

Tabela comparativa: argamassas colantes AC-I a AC-III

Comparativo das argamassas colantes AC-I, AC-II, AC-III e AC-III E: preço por saco, rendimento, tempo aberto e indicação de uso
Tipo Preço/Saco 20 kg Rendimento (kg/m²) Tempo Aberto Aderência (MPa) Indicação
AC-I R$ 15 – R$ 22 4 – 5 10 min ≥ 0,5 Interno, cerâmica até 60×60
AC-II R$ 22 – R$ 35 4 – 6 10 min ≥ 1,0 Externo, piscina fria, garagem
AC-II E R$ 28 – R$ 40 4 – 6 20 min ≥ 1,0 Peças grandes em área externa
AC-III R$ 30 – R$ 45 5 – 9 10 min ≥ 1,0 Porcelanato >60×60, sauna, fachada
AC-III E R$ 38 – R$ 55 5 – 9 20 min ≥ 1,0 Grande formato 90×90+, dupla colagem

Os valores de aderência mínima seguem a NBR 14081. Na prática, a diferença entre AC-I (0,5 MPa) e AC-III (1,0 MPa) é o dobro de resistência ao arrancamento. Porcelanato polido de grande formato pesa de 22 a 28 kg/m² — sem essa aderência extra, a peça descola da parede por gravidade em meses.

Argamassa de rejunte: cimentício, epóxi e flexível

O rejunte veda as juntas entre as peças de revestimento. Parece detalhe estético, mas é barreira contra infiltração. Existem três tipos no mercado brasileiro.

Rejunte cimentício é o mais barato e mais usado. Base de cimento Portland com pigmentos. Aceita juntas de 2 a 10 mm. Custa de R$ 4 a R$ 7/kg (embalagem de 1 a 5 kg). Funciona em quase todo lugar, mas é poroso — absorve gordura em cozinha e escurece com o tempo em área molhada. A composição SINAPI 87263 usa rejunte cimentício a R$ 4,69/kg.

Rejunte flexível tem aditivos poliméricos que toleram pequenas movimentações da estrutura sem craquelar. Indicado para pisos sobre laje, porcelanato retificado e áreas externas. Custa de R$ 8 a R$ 15/kg. A flexibilidade compensa o investimento: laje sempre trabalha (dilata e contrai), e o rejunte rígido trinca antes de completar um ano.

Rejunte epóxi é bicomponente (ou tricomponente), impermeável, resistente a produtos químicos e não escurece. Obrigatório em piscinas, bancadas de cozinha gourmet e áreas hospitalares. Custa de R$ 55 a R$ 75/kg (Quartzolit e Portokoll, embalagem de 1 kg, março/2026). É caro, exige mão de obra treinada e tem tempo de cura de 72 horas. Não use em toda a casa — reserve para os pontos críticos.

O tempo de liberação para tráfego varia: 48 horas para cimentício, 12 horas para flexível e 72 horas para epóxi. Aplicar rejunte antes de a argamassa colante curar (mínimo 24 horas após assentamento) é garantia de peça solta.

Argamassa de reboco e emboço

Antes de pintar, a parede precisa de três camadas de argamassa de revestimento: chapisco, emboço e reboco. Cada uma tem traço e função diferentes.

Chapisco é a primeira camada. Traço grosso (1 parte de cimento para 3 de areia grossa), aplicado sobre a alvenaria para criar aderência mecânica. Espessura de 3 a 5 mm. Sem chapisco, o emboço descola da parede.

Emboço é a camada de regularização. Traço intermediário (1:4 ou 1:5, cimento e areia média), espessura de 15 a 25 mm. Corrige o desaprumo da alvenaria e deixa a superfície plana para o reboco.

Reboco é o acabamento fino. Traço magro (1:7 ou 1:8, cimento e areia fina, com cal para trabalhabilidade), espessura de até 10 mm. Prepara a superfície para receber massa corrida, selador ou textura.

Os tempos de cura entre camadas são definidos pela NBR 13749 da ABNT: mínimo 3 dias entre chapisco e emboço, 7 dias entre emboço e reboco (21 dias se o emboço tiver cal), e 28 dias entre reboco e pintura. Furar essas etapas é a principal causa de parede que fissurou e descascou. O pedreiro que promete rebocar e pintar na mesma semana está economizando tempo dele e criando problema seu.

O custo do reboco depende do traço e do porte da obra. No SINAPI de janeiro/2026 para SP, a composição de emboço/massa única (traço 1:2:8, cimento, cal e areia) custa em torno de R$ 34 a R$ 38/m² com material e mão de obra. Argamassa industrializada de reboco (Quartzolit Reboco Pronto, saco de 20 kg) sai de R$ 28 a R$ 40 o saco, com rendimento de 2,5 a 3,5 m² por saco (espessura de 10 mm).

Industrializada vs virada na obra

A argamassa “virada na obra” é feita no canteiro: o servente pesa cimento, areia e cal, mistura na betoneira ou na masseira. A industrializada vem pronta no saco — adiciona água e aplica.

A virada na obra custa menos por m². Um traço 1:6 (cimento e areia) para emboço sai por volta de R$ 12 a R$ 18/m² em material. A industrializada equivalente custa R$ 22 a R$ 32/m² em material. A diferença parece grande, mas tem três fatores que a invertem em obras pequenas e reformas.

O primeiro é desperdício. Argamassa virada em obra tem perda de 15% a 25% — traço mal dosado, massa que endurece no balde, sobra no fim do dia. A industrializada tem perda de 3% a 5%.

O segundo é logística. Em reforma de apartamento, subir areia e cimento de elevador é inviável em muitos condomínios. Sacos de argamassa pronta ocupam menos espaço e sujam menos.

O terceiro é conformidade. A NBR 13281 exige controle de qualidade da argamassa de revestimento. Na virada em obra, quem garante o traço é o pedreiro. Na industrializada, a responsabilidade é do fabricante — que já entrega o produto ensaiado. Para obra com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), a industrializada simplifica a documentação.

Na prática: obra nova com pedreiro de confiança e volume grande (acima de 200 m² de parede) → virada na obra compensa. Reforma de apartamento, obra pequena ou pedreiro rotativo → industrializada é mais segura e o custo extra se paga em menos retrabalho.

Infográfico comparando custo total de argamassa industrializada versus virada na obra para 100 m² de parede, incluindo desperdício
Para 100 m² de parede, a virada na obra sai mais barata no material bruto — mas a industrializada ganha quando se soma desperdício e retrabalho

Argamassa para porcelanato de grande formato

Porcelanato de 90x90, 120x120 e até 120x280 cm virou tendência em reforma residencial. E é aqui que a escolha da argamassa faz mais diferença. Peças desse tamanho exigem três cuidados simultâneos.

Primeiro: AC-III E é obrigatória. O tempo aberto estendido dá ao assentador 20 minutos para posicionar e nivelar uma peça de 30 kg. Com AC-III normal (10 minutos), a argamassa começa a secar antes de a peça estar ajustada — e reposicionar porcelanato grande é arriscar quebrar a placa.

Segundo: dupla colagem. A argamassa é aplicada tanto no substrato (piso ou parede) quanto no tardoz da peça. Isso garante que não fiquem espaços ocos sob o porcelanato. Peça grande com oco no meio racha na primeira batida de salto alto ou queda de panela. O consumo com dupla colagem sobe para 7 a 9 kg/m² — quase o dobro de uma camada simples.

Terceiro: contrapiso nivelado. Porcelanato de grande formato não perdoa desnível. A tolerância é de 3 mm em 2 metros. Contrapiso fora disso precisa de nivelamento com argamassa autonivelante antes do assentamento.

Os fabricantes como Quartzolit, Portokoll e Votomassa têm linhas específicas para grande formato. A Portokoll Premium Multiuso 12 em 1 cobre peças de até 120x280 cm em assentamento convencional. O saco de 20 kg dessas linhas premium sai de R$ 38 a R$ 55, mas a segurança de não ter que arrancar porcelanato de R$ 200/m² compensa cada real.

Para calcular a quantidade de argamassa e piso que sua obra precisa, use a calculadora de material para piso.

Perguntas frequentes

Posso usar AC-I para porcelanato em piso interno?

Depende do tamanho. Porcelanato de até 60x60 cm em piso interno seco pode usar AC-II (não AC-I, porque porcelanato tem absorção muito baixa e precisa de mais aderência). Acima de 60x60 cm, AC-III é obrigatória pela NBR 14081.

Argamassa colante vencida pode ser usada?

Não. A argamassa colante tem validade de 12 meses após fabricação (selo na embalagem). Depois disso, os aditivos perdem eficácia e a aderência cai. Saco aberto e exposto à umidade perde propriedades em dias.

Qual a diferença entre rejunte flexível e epóxi?

Flexível é base cimentícia com polímeros. Custa R$ 8 a R$ 15/kg, aplica fácil e atende 90% das obras residenciais. Epóxi é bicomponente, impermeável e resistente a produto químico — custa R$ 55 a R$ 75/kg e exige mão de obra especializada. Use epóxi em piscinas, bancadas e áreas que precisam de higiene absoluta. No resto, flexível resolve.

O que é dupla colagem e quando é obrigatória?

É aplicar argamassa no substrato e no tardoz da peça. É obrigatória para porcelanato acima de 60x60 cm, peças retificadas em parede e qualquer revestimento em fachada. A dupla colagem elimina os vazios que causam estalidos e descolamento.

Quanto tempo esperar entre o reboco e a pintura?

Mínimo 28 dias de cura do reboco, conforme a NBR 13749. Só depois aplique selador ou primer. Pintar antes disso causa bolhas, eflorescência (manchas brancas) e descascamento. A pressa é o erro mais caro em revestimento de parede.

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