Reforma de sala de estar passo a passo: piso, iluminação, gesso, pintura, layout, custos SINAPI e os erros que encarecem a obra em 2026
Guia completo de reforma de sala de estar em 2026. Piso, iluminação, gesso, pintura, elétrica, layout e custos SINAPI por etapa. Evite os erros mais comuns.
Engenheiro Eletricista (UNESP)
Minha vizinha de andar reformou a sala no começo de 2025. Contratou um pintor para dar uma “refrescada” nas paredes e aproveitou para trocar o piso laminado por porcelanato. Só que não pensou na elétrica. Resultado: o porcelanato novinho ficou lindo, mas ela precisou rasgar o piso três semanas depois para passar um ponto elétrico onde ia ficar a TV de 65 polegadas. Gastou R$ 2.800 só no conserto — quase 20% do custo total da reforma.
Esse tipo de história acontece porque a sala parece simples. Não tem hidráulica pesada como o banheiro, nem a complexidade de layout da cozinha. Mas a sala é o cômodo mais exposto da casa: recebe visitas, vira home office, acomoda a família no sofá. Errar aqui aparece todo dia. Este guia cobre o processo completo de reforma de sala de estar — do planejamento até o acabamento — com custos baseados na tabela SINAPI de janeiro/2026 e os erros que eu vejo se repetindo há 15 anos.
Se o que você procura é o custo isolado de pintura, piso ou forro, temos artigos dedicados: quanto custa pintar a casa, quanto custa piso porcelanato e quanto custa forro de gesso. Aqui o foco é a reforma completa da sala — o que fazer, em que ordem e por quê.
O que define o escopo da reforma
Antes de pedir orçamento, defina o tamanho da intervenção. Reforma de sala pode ir de uma pintura rápida até uma reestruturação completa com piso novo, forro de gesso, elétrica atualizada e parede removida. O escopo muda tudo: prazo, custo e profissionais envolvidos.
Reforma leve (pintura + ajustes): troca de tinta, conserto de fissuras, instalação de cortina ou prateleira. Não exige demolição, não gera entulho pesado. Prazo de 3 a 5 dias úteis para uma sala de 20 m². Custo entre R$ 1.500 e R$ 4.000.
Reforma média (piso + pintura + elétrica): troca de revestimento, nova pintura completa com massa corrida e selador, atualização de tomadas e pontos de iluminação. Pode incluir forro de gesso simples. Prazo de 8 a 15 dias úteis. Custo entre R$ 6.000 e R$ 15.000.
Reforma completa (tudo): demolição do piso existente, contrapiso novo, revestimento novo, forro de gesso com sanca e LED, elétrica refeita, pintura especial, parede de destaque, integração com a cozinha (derrubar parede). Pode precisar de ART ou RRT se mexer na estrutura. Prazo de 15 a 30 dias úteis. Custo entre R$ 15.000 e R$ 40.000.
Não contrate sem contrato assinado. Se mora em apartamento, a NBR 16280 da ABNT exige plano de reforma aprovado pelo condomínio e assinado por engenheiro ou arquiteto com responsabilidade técnica. Veja tudo sobre as regras de reforma em condomínio.
Orçamento: quanto custa reformar a sala de estar
A sala é o cômodo mais barato por m² numa reforma residencial. Não tem a impermeabilização do banheiro nem a marcenaria da cozinha. O grosso do custo fica em três itens: piso, pintura e gesso. A elétrica entra como quarto item quando a instalação é antiga ou quando o layout muda.
A tabela abaixo mostra o custo estimado para uma reforma completa de uma sala de 20 m² em São Paulo, com dados SINAPI de janeiro/2026:
| Etapa | Código SINAPI | Custo/un (SP) | Quantidade | Subtotal |
|---|---|---|---|---|
| Demolição piso existente | 73896 | R$ 21,83/m² | 20 m² | R$ 436 |
| Contrapiso regularização | 73920 | R$ 37,76/m² | 20 m² | R$ 755 |
| Porcelanato 60x60 assentado | 87878 | R$ 82,60/m² | 20 m² | R$ 1.652 |
| Rodapé cerâmico | 87882 | R$ 20,06/m | 18 m | R$ 361 |
| Pintura acrílica interna | 88489 | R$ 28,32/m² | 60 m² | R$ 1.699 |
| Forro drywall | 88640 | R$ 82,60/m² | 20 m² | R$ 1.652 |
| Sanca fechada com LED | 88637 | R$ 94,40/m | 12 m | R$ 1.133 |
| Pontos de tomada (6 un) | 91922 | R$ 141,60/un | 6 | R$ 850 |
| Pontos de iluminação (4 un) | 91924 | R$ 133,34/un | 4 | R$ 533 |
| Total estimado (mão de obra + material) | R$ 9.071 |
Esses valores são de mão de obra e material básico SINAPI. O porcelanato em si (a peça que você compra na loja) não está incluso — custa entre R$ 45 e R$ 150 por m² dependendo da marca e do formato. Somando material de acabamento (porcelanato, tinta, luminária LED, rodapé), o total de uma reforma completa de sala de 20 m² fica na faixa de R$ 14.000 a R$ 25.000 em São Paulo.
Reserve 10% a 15% do total para imprevistos. Ao abrir o contrapiso de salas em prédios antigos, é comum encontrar fiação subdimensionada, ferragem exposta ou desnível que exige mais regularização.
Piso: porcelanato, laminado ou vinílico
A escolha do piso define o caráter da sala. Os três tipos mais usados em reformas residenciais no Brasil são o porcelanato, o piso laminado e o vinílico. Cada um tem custo, durabilidade e instalação diferentes.
Porcelanato (R$ 82,60/m² instalado, SINAPI 87878, SP, jan/2026). É o mais durável: dura 20 anos ou mais, resiste a riscos e não absorve água. Ideal para salas integradas com a cozinha ou varanda. Exige contrapiso nivelado e argamassa AC-III. A desvantagem é a temperatura: porcelanato é frio, e no Sul do Brasil isso incomoda no inverno. Porcelanato polido fica escorregadio quando molhado — para sala, prefira o acetinado ou o natural. Veja o comparativo completo em porcelanato vs piso laminado.
Piso laminado (R$ 70,80/m² instalado, SINAPI 88268, SP, jan/2026). Instalação flutuante sobre manta acústica de 3 mm — ou seja, não precisa demolir o piso antigo se ele estiver nivelado. Ótimo conforto térmico e acústico. A desvantagem: não resiste a água. Derramou líquido e não secou rápido, o laminado incha. Vida útil de 10 a 15 anos com cuidado. Para sala que não conecta com área molhada, é uma escolha prática e econômica.
Piso vinílico (R$ 76,70/m² instalado, SINAPI 88272, SP, jan/2026). O meio-termo: resiste melhor à umidade que o laminado, é silencioso (ideal para apartamento) e pode ser instalado sobre o piso existente. Vida útil de 10 a 20 anos dependendo da espessura e da camada de desgaste. A versão colada exige contrapiso liso. A versão click (encaixe) funciona como o laminado. Marcas com camada de desgaste acima de 0,3 mm aguentam tráfego intenso sem riscar.
Para sala de apartamento padrão, o vinílico click é a opção com melhor custo-benefício em 2026. Para casa com sala integrada à cozinha ou varanda, o porcelanato é mais seguro. Laminado funciona bem em sala fechada sem risco de contato com água.
Pintura: cores, preparo e parede de destaque
Pintura é a etapa com maior impacto visual por real investido. Uma sala de 20 m² com pé-direito de 2,70 m tem aproximadamente 55 a 65 m² de parede pintável (descontando portas e janelas). O custo SINAPI de pintura acrílica interna com massa corrida fica em R$ 28,32/m² em São Paulo (código 88489, janeiro/2026).
Preparo é tudo. A tinta não esconde defeitos — ela revela. Parede com trinca, bolha ou desnível precisa de tratamento antes da pintura. A sequência correta: lixamento da pintura antiga, aplicação de selador acrílico (R$ 9,44/m², SINAPI 88478), massa corrida PVA em duas demãos com lixamento (R$ 15,34/m², SINAPI 88481) e depois as duas demãos de tinta acrílica. Pular o selador ou a massa é o atalho que faz a tinta descascar em menos de um ano.
Cores em 2026. As tendências de pintura para salas em 2026 apontam para o que designers chamam de “minimalismo quente”. Bases neutras como bege, off-white e greige (mistura de cinza com bege) dominam as paredes principais. A parede de destaque — aquela atrás do sofá ou da TV — ganha tons mais vivos: verde-musgo, terracota, azul petróleo ou cinza-chumbo. A combinação base neutra + parede de destaque funciona em qualquer metragem e não enjoa rápido.
Parede de destaque. Pintar apenas uma parede com cor diferente é a forma mais barata de transformar a sala. Use a parede de maior visibilidade — geralmente a que fica atrás do sofá ou atrás da TV. O segredo é manter as outras três paredes em tom neutro claro. Cores escuras em todas as paredes encolhem o ambiente. Se a sala tiver menos de 15 m², prefira tons médios (verde-sálvia, azul-acinzentado) em vez de cores muito saturadas.
Textura. Textura projetada (SINAPI 88503, R$ 33,04/m²) e grafiato (SINAPI 88507, R$ 37,17/m²) são opções para quem quer um acabamento diferente sem usar papel de parede. A textura funciona melhor em paredes externas ou em uma única parede interna como destaque. Aplicar textura em toda a sala deixa o ambiente pesado.
Forro de gesso e sanca: quando vale o investimento
Forro de gesso transforma o visual da sala, mas não é obrigatório. Se o teto da laje está nivelado e sem trincas, uma boa pintura no teto resolve. O gesso entra quando você quer: esconder tubulações ou fiação no teto, criar iluminação indireta (sanca com LED), rebaixar o teto para dar proporção a salas com pé-direito muito alto, ou embutir ar-condicionado split.
Forro de gesso convencional (R$ 68,44/m², SINAPI 88630, SP, jan/2026). Placas de 60x60 cm com estrutura metálica. Acabamento artesanal que depende do gesseiro. Precisa de tempo de secagem e pode trincar se a estrutura do prédio tiver movimentação (prédios acima de 10 andares costumam ter). Para sala de apartamento padrão, funciona bem.
Forro de drywall (R$ 82,60/m², SINAPI 88640, SP, jan/2026). Placa de gesso acartonado 12,5 mm com perfis metálicos. Mais rápido de instalar que o gesso convencional, menos sujeito a trincas e permite manutenção (basta abrir a placa para acessar a fiação). É a escolha mais moderna e a preferida por arquitetos em projetos atuais. Para entender as diferenças entre os dois, veja gesso vs drywall.
Sanca aberta (R$ 76,70/m, SINAPI 88635). Cria uma abertura entre o forro e a parede onde a luz indireta rebate no teto e se espalha pela sala. Efeito visual elegante, temperatura de cor quente (2700K a 3000K). A iluminação indireta da sanca aberta é a mais pedida em reformas de sala em 2026.
Sanca fechada com perfil LED (R$ 94,40/m, SINAPI 88637). A moldura é fechada e a fita LED fica embutida num perfil de alumínio. O acabamento é mais limpo e a manutenção do LED é mais fácil. Custa cerca de 23% a mais que a sanca aberta.
Para uma sala de 20 m², a sanca perimetral (nos quatro lados) consome cerca de 18 metros lineares. Isso significa R$ 1.380 para sanca aberta ou R$ 1.699 para sanca fechada. Some a fita LED (R$ 15 a R$ 40 por metro, dependendo da potência) e a fonte de alimentação (R$ 80 a R$ 200). O forro completo com sanca e LED numa sala de 20 m² sai entre R$ 2.800 e R$ 4.500.
Elétrica: tomadas, iluminação e pontos de dados
A elétrica é a etapa que todo mundo quer pular. E é exatamente a etapa que, quando ignorada, gera os maiores retrabalhos. Reformar a sala sem atualizar a elétrica é como trocar a roupa sem tomar banho — fica bonito por fora, mas o problema continua lá.
Quantidade mínima de tomadas. A NBR 5410 da ABNT exige no mínimo 1 ponto de tomada a cada 5 metros de perímetro. Uma sala de 20 m² (5 m x 4 m) tem 18 m de perímetro — mínimo de 4 tomadas. Na prática, isso é insuficiente. Uma sala moderna precisa de 6 a 8 tomadas distribuídas: atrás do painel de TV (mínimo 3: TV, soundbar, streaming), ao lado do sofá (carregador de celular), no canto de leitura e perto da mesa de trabalho (se houver home office).
Ponto de tomada 2P+T custa R$ 141,60 por unidade (SINAPI 91922, SP, jan/2026). Ponto de iluminação embutido custa R$ 133,34 (SINAPI 91924). Cada ponto de interruptor sai R$ 126,26 (SINAPI 91920). A elétrica completa de uma sala com 6 tomadas, 4 pontos de iluminação e 2 interruptores fica em torno de R$ 1.636 só em mão de obra e material básico.
Pontos de dados e TV. Passe a infraestrutura para TV por assinatura, internet e automação antes de fechar a parede e o forro. Cabos de rede (CAT6) e coaxial devem correr em eletroduto separado da fiação elétrica — se dividir o mesmo conduíte, a interferência degrada o sinal. O custo extra de infraestrutura de dados é baixo (R$ 150 a R$ 300 para 2-3 pontos), mas acrescentar depois que o gesso está fechado obriga a quebrar tudo.
Dica para o futuro. Deixe pelo menos um eletroduto vazio de 1 polegada entre o quadro elétrico e o painel da TV. Se no futuro aparecer uma tecnologia nova (cabo HDMI 2.1 longo, fibra óptica interna), o caminho já está pronto.
Layout: como distribuir o espaço da sala
Layout não é decoração — é engenharia de uso. Uma sala mal distribuída desperdiça metros quadrados e cria pontos mortos que ninguém usa. Antes de comprar sofá ou rack, desenhe a planta da sala em escala 1:50 (papel quadriculado resolve) e defina as zonas de uso.
Zonas mais comuns em sala de estar:
- Estar/TV: sofá, rack ou painel, mesa de centro. É a zona principal. O sofá deve ficar a 2,5 a 3,5 metros da TV para telas de 55 a 65 polegadas.
- Jantar (se integrado): mesa, cadeiras, pendente de iluminação. Precisa de 75 cm livres ao redor da mesa para circulação.
- Leitura/trabalho: poltrona, luminária de piso, mesa lateral. Funciona num canto com boa iluminação natural.
- Circulação: os corredores de passagem devem ter no mínimo 60 cm de largura. Entre sofá e mesa de centro, 40 cm bastam.
Sala integrada. A tendência de integrar sala com cozinha (cozinha americana) continua forte em 2026. Se a reforma inclui a remoção de parede entre sala e cozinha, verifique se a parede é estrutural antes de cogitar demolição. Parede estrutural não pode ser removida sem reforço por viga metálica — e isso exige projeto de engenheiro civil com ART. Veja mais sobre quando a ART é obrigatória.
Salas compridas (formato corredor). Apartamentos brasileiros costumam ter salas retangulares estreitas, com 3 a 3,5 m de largura por 6 a 8 m de comprimento. O truque é dividir o ambiente em duas zonas claras (estar + jantar) usando um tapete grande ou uma mudança no forro de gesso. Colocar o sofá de costas para a porta e a mesa de jantar perto da cozinha é o arranjo mais funcional.
Cronograma: ordem correta das etapas
A sequência de reforma de sala segue a mesma lógica de qualquer cômodo: primeiro o que fica escondido (elétrica, infra de dados), depois o que fica exposto (forro, parede, piso). A ordem correta evita retrabalho.
- Demolição (1-2 dias): remoção do piso antigo, forro danificado, rodapé. Proteja móveis com lona ou remova-os da sala.
- Elétrica e infra de dados (2-3 dias): novos pontos de tomada, iluminação, interruptores, eletrodutos para TV/internet. Essa etapa rasga paredes e teto.
- Contrapiso (1-2 dias + 3 dias de cura): regularização do piso. O contrapiso precisa de 72 horas de cura antes de receber revestimento.
- Forro de gesso/drywall (2-3 dias): instalação do forro, sancas e tabicas. Feito antes da pintura e do piso para evitar poeira sobre o acabamento.
- Pintura (3-5 dias): selador, massa corrida (com lixamento entre demãos), duas demãos de tinta. Inclui teto e paredes. Cada demão precisa de 4 a 6 horas de secagem.
- Piso (2-3 dias + 24h de cura do rejunte): assentamento do revestimento e rejunte. O porcelanato precisa de 24 horas de cura da argamassa antes de pisar.
- Rodapé e acabamentos (1 dia): rodapé, espelhos de tomada, luminárias, cortineiro.
- Limpeza e montagem (1 dia): limpeza fina (sem ácido muriático em porcelanato polido — mancha) e recolocação dos móveis.
Prazo total: 12 a 20 dias úteis para reforma completa de sala de 20 m². Reforma leve (pintura + ajustes) sai em 3 a 5 dias.
Iluminação: camadas que fazem a diferença
A iluminação é o que separa uma sala reformada de uma sala transformada. Trocar uma lâmpada central de teto por um projeto em camadas muda completamente a atmosfera — e não precisa ser caro.
Iluminação geral (luz ambiente). É a base: plafons de embutir, fita LED na sanca ou spots no forro. Deve iluminar a sala por inteiro, de forma uniforme, sem criar sombras fortes. Temperatura de cor recomendada: 3000K (branco quente). Spots embutidos de 7W a 12W no forro de gesso, espaçados a cada 1,2 a 1,5 m, cobrem a maioria das salas.
Iluminação de tarefa. Luminária de piso ao lado da poltrona de leitura, luminária de mesa no canto de trabalho. Essa camada tem foco direcional — ilumina onde você precisa, sem forçar a vista.
Iluminação de destaque. Spots direcionáveis apontados para um quadro, uma estante ou uma planta. A iluminação de destaque cria profundidade e dá personalidade ao ambiente.
Iluminação decorativa. Fita LED atrás da TV (backlight que reduz cansaço visual), fita LED sob a bancada flutuante ou dentro de nichos. É a camada que mais aparece em fotos de “sala dos sonhos”, mas sozinha não ilumina nada — funciona como complemento.
Para uma sala de 20 m², um projeto de iluminação funcional precisa de: 4 a 6 spots embutidos no forro (geral), 1 luminária de piso (tarefa), fita LED na sanca (ambiente/decorativa) e, opcionalmente, 1 ou 2 spots direcionáveis (destaque). O custo dos spots e da fita LED fica entre R$ 400 e R$ 1.200, fora a instalação elétrica.
Parede integrada: quando derrubar e quando manter
Derrubar a parede entre sala e cozinha é uma das intervenções mais pedidas em reformas de apartamento no Brasil. A sala integrada ganha amplitude, luz natural e socialização — a pessoa que cozinha conversa com quem está no sofá. Mas a decisão não é só estética.
Parede estrutural vs. parede de vedação. Parede estrutural sustenta peso: laje, viga, pilar. Não pode ser removida sem reforço. Parede de vedação (divisória) apenas separa ambientes — pode ser removida sem comprometer a estrutura. Para saber qual é qual, consulte a planta estrutural do imóvel (disponível com a construtora ou no registro do condomínio). Na dúvida, chame um engenheiro civil.
Custo para derrubar parede de vedação. A demolição em si custa pouco: R$ 180 a R$ 400 para uma parede de 6 m² (3 m de comprimento x 2 m de altura). O que encarece é o acabamento: igualar o piso da sala com o da cozinha (se forem diferentes), refazer a elétrica que passava por dentro da parede, e ajustar o forro de gesso na transição. O total fica entre R$ 3.000 e R$ 8.000 dependendo do nível de acabamento.
Alternativa: meia-parede ou bancada. Se derrubar tudo não faz sentido (por custo ou por preferência), uma meia-parede com bancada resolve. Funciona como divisória visual, cria uma bancada para refeições rápidas e mantém a instalação elétrica existente. É a solução que mais aparece em reformas de apartamentos compactos.
Os 8 erros que mais encarecem a reforma da sala
Esses erros aparecem em pelo menos metade das reformas de sala que eu acompanhei. Cada um deles custa dinheiro, tempo ou os dois.
1. Não planejar a elétrica antes de fechar o layout. Se você não sabe onde o sofá vai ficar, não sabe onde precisa de tomada. Resultado: tomada atrás do sofá (inútil), falta de tomada onde a TV ficou, extensão cruzando a sala.
2. Instalar o piso antes do forro de gesso. O gesseiro gera poeira fina de gesso que gruda no porcelanato recém-assentado e risca na hora de limpar. A ordem correta: primeiro o forro, depois a pintura, depois o piso.
3. Pular o selador e a massa corrida. A tinta aplicada sobre parede sem preparo descasca, bolha e mostra as imperfeições da alvenaria. O selador custa R$ 9,44/m² e a massa R$ 15,34/m². Economizar R$ 1.480 no preparo de 60 m² de parede significa repintar em menos de dois anos.
4. Escolher piso laminado para sala integrada com cozinha. O laminado não resiste a água. Na sala isolada, funciona. Na sala que abre para a cozinha, qualquer respingo vira infiltração na junta. Use porcelanato ou vinílico nesses casos.
5. Ignorar o tempo de cura. Contrapiso precisa de 72 horas. Rejunte de porcelanato precisa de 24 horas. Pintura precisa de 4 a 6 horas entre demãos. Empreiteiro que aperta o cronograma e não respeita a cura entrega piso solto e tinta que descasca.
6. Comprar móveis antes de terminar a reforma. Medidas mudam durante a obra — uma parede de gesso come 12 cm de largura, um rodapé altera a posição do rack. Compre os móveis depois que o acabamento estiver pronto, com medidas finais.
7. Não reservar verba para imprevistos. Toda reforma de sala em prédio antigo (mais de 20 anos) tem surpresa: fiação alumínio no lugar de cobre, contrapiso com desnível de 3 cm, laje com vazamento do andar de cima. Separe 10% a 15% do total.
8. Não pedir orçamento detalhado. Orçamento que diz “reforma completa da sala: R$ 15.000” não serve para nada. Peça o preço por item: m² de piso, m² de pintura, metro linear de sanca, ponto de tomada. Assim você compara propostas de verdade e sabe onde cortar se o orçamento estourar.
Como economizar sem comprometer o resultado
Nem toda economia sacrifica qualidade. Algumas substituições inteligentes reduzem o custo em 20% a 40% sem que o resultado final pareça “reforma barata”.
Piso sobre piso. Se o piso atual está nivelado e firme, instalar laminado ou vinílico click por cima elimina a demolição (R$ 436) e o contrapiso (R$ 755). Economia de R$ 1.191 numa sala de 20 m².
Pintura PVA em vez de acrílica. Tinta PVA (R$ 23,60/m², SINAPI 88485) custa 17% menos que a acrílica (R$ 28,32/m²). Para sala sem contato com umidade, a PVA tem resultado visual equivalente. A diferença é a lavabilidade: acrílica limpa com pano úmido, PVA não. Se a sala não tem criança pequena nem pet que encosta na parede, PVA resolve.
Forro de gesso convencional em vez de drywall. Se não precisa de manutenção frequente no forro (acesso a fiação), o gesso convencional (R$ 68,44/m²) custa 17% menos que o drywall (R$ 82,60/m²). Em 20 m², a diferença é de R$ 283.
Sanca aberta em vez de fechada. A sanca aberta (R$ 76,70/m) custa 19% menos que a fechada (R$ 94,40/m). O efeito visual é praticamente o mesmo — a diferença está no acabamento e na facilidade de trocar a fita LED.
Iluminação sem gesso. Se não vai fazer forro, use trilho de spots em vez de spots embutidos. Trilho de 1 metro com 3 spots LED custa de R$ 120 a R$ 350 na loja. Não precisa de gesseiro, não gera obra no teto.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para reformar uma sala de 20 m²? Reforma leve (pintura e ajustes) leva de 3 a 5 dias úteis. Reforma completa com piso, gesso, elétrica e pintura leva de 12 a 20 dias úteis. O cronograma pode esticar se o condomínio restringir horário de obra ou se houver imprevistos.
Preciso de ART ou RRT para reformar a sala? Se a reforma envolve demolição de parede (mesmo de vedação), alteração estrutural ou mudança de uso, sim. Para pintura, troca de piso e instalação de forro, não é obrigatório por norma — mas o condomínio pode exigir plano de reforma com responsável técnico (NBR 16280). Veja mais em quando a ART é obrigatória.
Posso reformar a sala morando no apartamento? Pode, mas não é confortável. A poeira de demolição e gesso invade todos os cômodos. Se for reforma completa, o ideal é sair do apartamento durante a fase de demolição e contrapiso (primeiros 5 a 7 dias). Se for só pintura, basta proteger os móveis com lona e manter a sala ventilada.
Qual o piso mais indicado para sala com pet? Porcelanato acetinado ou vinílico. Ambos resistem a arranhões de unha melhor que o laminado. Porcelanato polido risca com areia trazida pela pata do cachorro. Laminado incha se o pet fizer xixi e o líquido alcançar a junta.
Vale a pena colocar gesso na sala? Se você quer iluminação indireta, precisa esconder fiação ou quer um acabamento moderno, sim. Se o teto está nivelado e você só quer renovar a sala, uma boa pintura no teto com rolo resolve por R$ 200 a R$ 500.
Quanto custa reformar a sala em outros estados? Os valores SINAPI variam por estado. São Paulo tem multiplicador de 1,18 (o mais caro). Rio de Janeiro fica em 1,13, Rio Grande do Sul em 1,08 e Minas Gerais em 1,00 (base nacional). Uma reforma que custa R$ 14.000 em SP sai em torno de R$ 11.900 em MG — 15% menos.