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Quanto custa reformar uma cozinha em 2026: custos SINAPI fase a fase, faixas por padrão e tabela por estado

Reforma de cozinha custa de R$ 8.000 a R$ 45.000 em 2026. Veja custos SINAPI por fase da obra, faixas por padrão e tabela por estado.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Cozinha em obra com bancada de granito sendo instalada por trabalhador brasileiro usando luvas de proteção em apartamento de São Paulo, ferramentas no chão e revestimento cerâmico parcialmente aplicado na parede
Reforma completa de cozinha passa por seis fases — e a marcenaria sozinha pode representar metade do orçamento

R$ 15 mil para reformar uma cozinha de 8 m². Justo ou abuso?

Depende. Se a reforma inclui demolição total, hidráulica nova, porcelanato retificado, bancada de granito e marcenaria sob medida, R$ 15 mil está abaixo da média. Já uma reforma cosmética — pintar, trocar piso sobre piso e manter os armários — sai por R$ 8 mil na mesma metragem. O problema é que a maioria dos proprietários não sabe onde o dinheiro vai em cada fase. E aí qualquer orçamento parece caro demais ou suspeitamente barato.

A cozinha é o segundo cômodo mais caro por metro quadrado numa reforma, atrás apenas do banheiro. O motivo: elétrica pesada com circuitos dedicados, hidráulica, revestimento em todas as paredes e piso, bancada de pedra e armários planejados. Todos os custos deste artigo são baseados na tabela SINAPI de janeiro/2026 do IBGE. Essa é a referência oficial do governo federal para custos da construção civil.

Faixas de preço por tipo de reforma

Nem toda reforma de cozinha é igual. Uma atualização cosmética não tem nada a ver com uma reforma completa que mexe em tubulação e elétrica. A tabela abaixo mostra faixas realistas para São Paulo em 2026. A referência é uma cozinha de 8 m², metragem média de apartamento:

Tipo de reformaO que incluiFaixa de custo (SP, 8 m²)Custo por m²
Cosmética (simples)Pintura, troca de torneira e puxadores, ajustes em portas de armárioR$ 3.000 – R$ 6.000R$ 375 – R$ 750
Parcial (média)Troca de piso, revestimento de parede, bancada nova, pintura, elétrica parcialR$ 8.000 – R$ 18.000R$ 1.000 – R$ 2.250
Completa (alta)Demolição total, hidráulica e elétrica novas, revestimento, bancada, marcenaria sob medida, forroR$ 18.000 – R$ 45.000R$ 2.250 – R$ 5.625

A partir daqui, o artigo detalha a reforma completa — a que envolve demolição, todas as instalações novas e acabamento do zero. Se o seu caso é só trocar o piso e pintar, use a calculadora de reforma para estimar direto.

Fase 1 — Demolição e remoção de entulho

Toda reforma completa começa quebrando. Retirar o revestimento antigo das paredes, demolir o contrapiso e arrancar o piso existente. Numa cozinha de 8 m² com paredes revestidas de cerâmica até o teto (uns 22 m² de parede), os custos SINAPI para São Paulo ficam assim:

ServiçoCódigo SINAPIUnidadeCusto SP
Demolição de revestimento cerâmico73892R$ 22,42
Demolição de contrapiso 5 cm73890R$ 17,70
Remoção de entulho (caçamba 3 m³)73900R$ 123,90

Na prática, demolir 22 m² de parede cerâmica custa R$ 493. Demolir 8 m² de contrapiso, mais R$ 142. A caçamba de entulho de 3 m³ (uma cozinha gera de 0,8 a 1,5 m³) sai R$ 124 a R$ 186. Total da fase: R$ 760 a R$ 820.

Não economize na caçamba. Descarte irregular de entulho de obra gera multa de R$ 1.000 a R$ 5.000 em São Paulo, dependendo do volume e da reincidência. A Lei Municipal 14.803/2008 proíbe depositar resíduos de construção em vias públicas.

Fase 2 — Hidráulica e elétrica

Essa é a fase invisível — fica dentro da parede — e é a que mais pesa quando algo dá errado depois. Cozinha exige no mínimo 1 ponto de água fria, 1 ponto de esgoto para a pia e circuitos elétricos dedicados para equipamentos de alta potência.

Hidráulica

ServiçoCódigo SINAPIUnidadeCusto SP
Ponto de água fria (PPR 3/4”)89799unR$ 165,20
Ponto de esgoto DN50 (pia)89810unR$ 141,60
Instalação de pia de cozinha89835unR$ 200,60

Uma cozinha padrão precisa de 1 a 2 pontos de água fria (pia + máquina de lavar louça, se houver) e 1 ponto de esgoto. Custo total de hidráulica: R$ 507 a R$ 672 (SINAPI, SP, janeiro/2026).

Se a tubulação do prédio for de ferro galvanizado — comum em edifícios construídos antes de 1995 — troque agora. O encanador pode sugerir reaproveitar, mas tubo de ferro galvanizado depois de 30 anos já apresenta corrosão interna e redução de vazão. Trocar agora custa R$ 500. Trocar depois de assentar porcelanato novo custa três vezes mais, porque precisa quebrar tudo de novo.

Elétrica

Cozinha é o cômodo que mais consome energia da casa. A NBR 5410 da ABNT exige circuitos dedicados para equipamentos acima de 1.500 W. Na prática, forno elétrico, cooktop por indução e lava-louças precisam de tomadas exclusivas com fiação de 4 mm² ou 6 mm².

ServiçoCódigo SINAPIUnidadeCusto SP
Ponto de tomada 2P+T 10A (2,5 mm²)91922unR$ 141,60
Ponto de tomada alta potência 30A (6 mm²)91928unR$ 247,80
Ponto de iluminação embutido91924unR$ 133,34
Disjuntor monopolar 10-20A91910unR$ 41,30

Uma cozinha funcional precisa de pelo menos 5 pontos de tomada comuns, 2 de alta potência e 2 de iluminação, além de proteção por DR. Custo total de elétrica: R$ 1.220 a R$ 1.650 (SINAPI, SP, janeiro/2026).

Não aceite eletricista que propõe ligar forno elétrico e cooktop no mesmo circuito. Cada equipamento acima de 1.500 W precisa de circuito exclusivo e fiação dimensionada para a corrente. Isso não é preciosismo de engenheiro: é a norma técnica brasileira. Circuito sobrecarregado é a causa mais comum de incêndio elétrico em cozinhas.

Gráfico de barras mostrando custo de reforma de cozinha completa por fase em São Paulo: demolição R$ 790, hidráulica R$ 590, elétrica R$ 1.430, revestimento R$ 2.480, bancada R$ 2.100, marcenaria R$ 9.000, pintura R$ 710
A marcenaria domina o orçamento da reforma de cozinha — só os armários planejados representam mais da metade do custo total em acabamento médio (SINAPI + mercado, SP, jan/2026)

Fase 3 — Revestimento: piso e parede

Depois de fechar a parede (chapisco, emboço), vem o revestimento. Cozinha exige material resistente a gordura, umidade e impacto — porcelanato esmaltado ou cerâmica de alta absorção são as escolhas mais comuns.

Preparo da superfície

Antes de assentar o revestimento, a parede precisa de chapisco e emboço:

ServiçoCódigo SINAPIUnidadeCusto SP
Chapisco 1:3 (preparo)87460R$ 9,44
Emboço/reboco paulista 20 mm87462R$ 38,94
Contrapiso de regularização 3 cm73920R$ 37,76

Para 22 m² de parede + 8 m² de piso: chapisco R$ 283, emboço R$ 857, contrapiso R$ 302. Total preparo: R$ 1.442.

Assentamento

ServiçoCódigo SINAPIUnidadeCusto SP
Porcelanato 60x60 com argamassa AC-III87878R$ 82,60
Cerâmica 30x30 com argamassa colante AC-I87869R$ 60,18
Rejunte epóxi (juntas até 5 mm)87874R$ 14,16

Optar por porcelanato em vez de cerâmica acrescenta R$ 22,42 por metro quadrado. Em 30 m² (piso + parede), isso dá R$ 673 a mais. O porcelanato vale o investimento na cozinha: absorve menos gordura e resiste melhor a manchas.

Custo de revestimento completo (porcelanato + rejunte, 30 m²): R$ 2.480 a R$ 2.900 incluindo preparo. Com cerâmica, cai para R$ 1.800 a R$ 2.230.

Fase 4 — Bancada

A bancada é o item mais visível da cozinha e o que mais varia de preço. Não existe composição SINAPI para bancadas de pedra. Os valores abaixo são de mercado, pesquisados em marmorarias de São Paulo em fevereiro/2026:

MaterialFaixa de preço (m²)Instalação (m²)Observação
Granito cinza (Andorinha, Corumbá)R$ 250 – R$ 450R$ 100 – R$ 180Mais acessível, boa resistência
Granito preto (São Gabriel)R$ 300 – R$ 500R$ 100 – R$ 180Popular, esconde manchas
Granito branco (Siena, Pitaya)R$ 600 – R$ 1.000R$ 120 – R$ 200Claro, exige impermeabilização
Quartzo (Silestone/similar)R$ 800 – R$ 1.500R$ 150 – R$ 250Industrializado, sem porosidade
Porcelanato pia (Neolith/Dekton)R$ 1.200 – R$ 2.500R$ 200 – R$ 350Ultrarresistente, importado

Uma bancada reta de 2,50 m com 60 cm de profundidade tem 1,50 m². Com granito preto São Gabriel, o custo fica entre R$ 600 e R$ 1.020 (material + instalação). Bancada em L ou ilha sai mais cara: a metragem sobe e entram recortes para pia e cooktop.

Bancada de granito branco precisa de impermeabilização com resina a cada 12 meses. Sem esse cuidado, mancha de café e azeite penetram na pedra e não saem mais. O custo de reimpermeabilização fica entre R$ 40 e R$ 80 por metro quadrado.

Fase 5 — Marcenaria e armários planejados

A marcenaria é, disparada, o item mais caro da reforma de cozinha. Um jogo completo de armários inferiores e superiores para uma cozinha de 8 m² exige entre 4 e 7 metros lineares de marcenaria.

Valores de mercado para São Paulo em 2026:

PadrãoMaterialFaixa por metro linearCozinha 5 m lineares
EconômicoMDP com borda de PVCR$ 900 – R$ 1.300R$ 4.500 – R$ 6.500
MédioMDF com acabamento texturizadoR$ 1.300 – R$ 2.000R$ 6.500 – R$ 10.000
Alto padrãoMDF com pintura laca ou vidroR$ 2.000 – R$ 3.500R$ 10.000 – R$ 17.500

Esses valores incluem projeto, fabricação, ferragens (dobradiças com amortecedor, corrediças telescópicas) e instalação. Não incluem eletrodomésticos embutidos — forno, cooktop, coifa e lava-louças são por conta do proprietário.

Dica que economiza de 15% a 25%: armários modulados (Madesa, Itatiaia, Bartira) custam de R$ 600 a R$ 900 por metro linear. A desvantagem: não se adaptam a vãos irregulares nem aproveitam cantos como a marcenaria sob medida. Para cozinhas retangulares padrão, funcionam muito bem.

O prazo de produção é o gargalo da reforma. Marcenarias sob medida levam de 30 a 60 dias úteis para fabricar e instalar. Encomende antes de começar a demolição. Se deixar para a fase de revestimento, vai atrasar tudo.

Fase 6 — Pintura e acabamento final

A última fase é a pintura do teto e das áreas de parede que ficaram sem revestimento (acima dos armários, por exemplo). Cozinha pede tinta acrílica — a PVA não resiste à umidade e gordura do ambiente.

ServiçoCódigo SINAPIUnidadeCusto SP
Pintura acrílica interna, 2 demãos88489R$ 28,32
Forro de gesso convencional88630R$ 68,44
Forro drywall88640R$ 82,60

Considerando 8 m² de teto (forro de gesso) e 6 m² de pintura acrílica (áreas expostas acima do revestimento): forro R$ 548 + pintura R$ 170. Total fase 6: R$ 718.

O forro de gesso acartonado (drywall) custa R$ 14,16/m² a mais que o convencional. A vantagem: permite embutir iluminação LED e esconder tubulação de coifa. Para cozinhas com coifa de duto, vale o investimento.

Resumo: custo total por fase

Somando todas as fases para uma cozinha de 8 m² com padrão médio em São Paulo:

FaseCusto estimado (SP)% do total
1. Demolição e entulhoR$ 7904%
2. HidráulicaR$ 5903%
3. ElétricaR$ 1.4308%
4. Revestimento (preparo + porcelanato)R$ 2.48014%
5. Bancada (granito preto)R$ 8105%
6. Marcenaria (MDF médio, 5 m lineares)R$ 8.25047%
7. Pintura e forroR$ 7184%
8. Louças, metais e acessóriosR$ 1.500 – R$ 2.5009%
9. Imprevistos (10%)R$ 1.6609%
TotalR$ 18.200 – R$ 19.700100%

A marcenaria representa quase metade do custo. Trocando armários sob medida por modulados, o total cai para R$ 13.500 a R$ 15.000. Com cerâmica em vez de porcelanato e granito cinza, baixa para R$ 11.000 a R$ 13.000.

Gráfico de pizza mostrando composição do custo de reforma de cozinha em São Paulo: marcenaria 47%, revestimento 14%, imprevistos 9%, louças 9%, elétrica 8%, bancada 5%, demolição 4%, pintura 4%, hidráulica 3%
Composição do custo de reforma completa de cozinha de 8 m² em São Paulo no padrão médio — a marcenaria domina com 47% do orçamento total (dados SINAPI + mercado, jan/2026)

Custo por estado: tabela SINAPI com multiplicadores

Os valores de mão de obra e material variam por estado. O SINAPI aplica multiplicadores regionais sobre a média nacional. São Paulo é o mais caro (1,18×), seguido por Rio de Janeiro (1,13×) e Distrito Federal (1,12×). Estados do Nordeste ficam entre 0,85× e 0,93×.

Aplicando o multiplicador sobre o custo total da reforma completa (sem marcenaria e bancada, que são preços de mercado):

EstadoMultiplicadorFases SINAPIMarcenaria + bancada (mercado)Total estimado
SP1,18R$ 7.670R$ 9.060R$ 18.400
RJ1,13R$ 7.340R$ 8.700R$ 17.700
DF1,12R$ 7.280R$ 8.800R$ 17.750
MG1,00R$ 6.500R$ 7.800R$ 15.900
PR1,07R$ 6.960R$ 8.100R$ 16.700
BA0,93R$ 6.050R$ 7.200R$ 14.850
CE0,91R$ 5.920R$ 7.000R$ 14.520
PI0,85R$ 5.530R$ 6.500R$ 13.630

A marcenaria e a bancada também variam por região, mas sem tabela oficial. Os valores acima estimam redução proporcional ao custo de vida local — marmorarias e marcenarias do interior de Minas cobram de 20% a 30% menos que São Paulo capital.

Quanto tempo demora e como não estourar o orçamento

Uma reforma completa de cozinha leva de 6 a 10 semanas, dependendo do prazo da marcenaria. O cronograma típico:

Semanas 1-2: demolição, remoção de entulho, abertura de rasgos para hidráulica e elétrica.

Semanas 2-3: instalação de pontos hidráulicos e elétricos, fechamento de rasgos, chapisco e emboço.

Semanas 3-5: contrapiso, assentamento de revestimento (piso primeiro, depois paredes), rejunte.

Semanas 5-6: bancada de pedra, pintura, forro.

Semanas 6-8: marcenaria (instalação dos armários, bancada de apoio, prateleiras).

Semanas 8-10: louças, metais, eletrodomésticos, limpeza final.

Três regras para não estourar o orçamento:

Encomende a marcenaria antes de começar a demolição. O prazo de fabricação é de 30 a 60 dias úteis. Se esperar a obra avançar para encomendar, a cozinha fica pronta mas sem armário — e você vai cozinhar no micro-ondas por dois meses.

Reserve 10% para imprevistos. Ao abrir parede de cozinha antiga, é comum encontrar tubulação comprometida, fiação subdimensionada ou infiltração invisível. Cada surpresa custa tempo e dinheiro.

Peça orçamento detalhado por fase, não valor fechado. Empreiteiro que dá preço de “reforma completa” sem discriminar fases quase sempre esquece alguma coisa — e você descobre no meio da obra, quando não tem como voltar atrás.

Se a reforma for em apartamento, a NBR 16280 da ABNT exige plano de reforma — conforme orientação do CAU/BR — com ART ou RRT assinada por engenheiro ou arquiteto. O condomínio pode (e deve) exigir essa documentação antes de autorizar a obra. Uma ART simples custa entre R$ 250 e R$ 800.

Perguntas frequentes

Quanto custa reformar uma cozinha pequena de 6 m²?

Em São Paulo, com porcelanato, bancada de granito e marcenaria sob medida, custa entre R$ 15.000 e R$ 18.000. A economia em relação a uma de 8 m² é menor do que se imagina. Os custos fixos (quadro elétrico, pontos hidráulicos, caçamba) não mudam com a metragem.

Preciso de engenheiro ou arquiteto para reformar a cozinha?

Se a reforma envolver mudança de ponto hidráulico, elétrico ou demolição de parede, a NBR 16280 recomenda responsável técnico com ART ou RRT. Em condomínios, essa documentação é obrigatória. Reformas cosméticas (pintura, troca de puxadores) não exigem.

Cozinha planejada modulada ou sob medida?

Armários modulados custam de R$ 600 a R$ 900 por metro linear, de 30% a 50% menos que sob medida. Funcionam bem para cozinhas retangulares com medidas padrão. Se a cozinha tem vãos irregulares ou canto em L, a marcenaria sob medida compensa pelo aproveitamento do espaço.

O que encarece mais a reforma de cozinha?

A marcenaria sob medida, representando até 47% do orçamento no padrão médio. Depois vem o revestimento (14%) e a elétrica (8%). Trocar sob medida por modulada e porcelanato por cerâmica reduz o custo total em 30% a 40%.

Dá para reformar a cozinha sem quebrar tudo?

Sim. Uma reforma parcial — piso sobre piso, pintura, bancada nova e puxadores — custa entre R$ 8.000 e R$ 12.000 e leva 2 a 3 semanas. A limitação: não resolve problemas de hidráulica e elétrica escondidos na parede.

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