Quanto custa reformar uma cozinha em 2026: custos SINAPI fase a fase, faixas por padrão e tabela por estado
Reforma de cozinha custa de R$ 8.000 a R$ 45.000 em 2026. Veja custos SINAPI por fase da obra, faixas por padrão e tabela por estado.
Engenheiro Eletricista (UNESP)
R$ 15 mil para reformar uma cozinha de 8 m². Justo ou abuso?
Depende. Se a reforma inclui demolição total, hidráulica nova, porcelanato retificado, bancada de granito e marcenaria sob medida, R$ 15 mil está abaixo da média. Já uma reforma cosmética — pintar, trocar piso sobre piso e manter os armários — sai por R$ 8 mil na mesma metragem. O problema é que a maioria dos proprietários não sabe onde o dinheiro vai em cada fase. E aí qualquer orçamento parece caro demais ou suspeitamente barato.
A cozinha é o segundo cômodo mais caro por metro quadrado numa reforma, atrás apenas do banheiro. O motivo: elétrica pesada com circuitos dedicados, hidráulica, revestimento em todas as paredes e piso, bancada de pedra e armários planejados. Todos os custos deste artigo são baseados na tabela SINAPI de janeiro/2026 do IBGE. Essa é a referência oficial do governo federal para custos da construção civil.
Faixas de preço por tipo de reforma
Nem toda reforma de cozinha é igual. Uma atualização cosmética não tem nada a ver com uma reforma completa que mexe em tubulação e elétrica. A tabela abaixo mostra faixas realistas para São Paulo em 2026. A referência é uma cozinha de 8 m², metragem média de apartamento:
| Tipo de reforma | O que inclui | Faixa de custo (SP, 8 m²) | Custo por m² |
|---|---|---|---|
| Cosmética (simples) | Pintura, troca de torneira e puxadores, ajustes em portas de armário | R$ 3.000 – R$ 6.000 | R$ 375 – R$ 750 |
| Parcial (média) | Troca de piso, revestimento de parede, bancada nova, pintura, elétrica parcial | R$ 8.000 – R$ 18.000 | R$ 1.000 – R$ 2.250 |
| Completa (alta) | Demolição total, hidráulica e elétrica novas, revestimento, bancada, marcenaria sob medida, forro | R$ 18.000 – R$ 45.000 | R$ 2.250 – R$ 5.625 |
A partir daqui, o artigo detalha a reforma completa — a que envolve demolição, todas as instalações novas e acabamento do zero. Se o seu caso é só trocar o piso e pintar, use a calculadora de reforma para estimar direto.
Fase 1 — Demolição e remoção de entulho
Toda reforma completa começa quebrando. Retirar o revestimento antigo das paredes, demolir o contrapiso e arrancar o piso existente. Numa cozinha de 8 m² com paredes revestidas de cerâmica até o teto (uns 22 m² de parede), os custos SINAPI para São Paulo ficam assim:
| Serviço | Código SINAPI | Unidade | Custo SP |
|---|---|---|---|
| Demolição de revestimento cerâmico | 73892 | m² | R$ 22,42 |
| Demolição de contrapiso 5 cm | 73890 | m² | R$ 17,70 |
| Remoção de entulho (caçamba 3 m³) | 73900 | m³ | R$ 123,90 |
Na prática, demolir 22 m² de parede cerâmica custa R$ 493. Demolir 8 m² de contrapiso, mais R$ 142. A caçamba de entulho de 3 m³ (uma cozinha gera de 0,8 a 1,5 m³) sai R$ 124 a R$ 186. Total da fase: R$ 760 a R$ 820.
Não economize na caçamba. Descarte irregular de entulho de obra gera multa de R$ 1.000 a R$ 5.000 em São Paulo, dependendo do volume e da reincidência. A Lei Municipal 14.803/2008 proíbe depositar resíduos de construção em vias públicas.
Fase 2 — Hidráulica e elétrica
Essa é a fase invisível — fica dentro da parede — e é a que mais pesa quando algo dá errado depois. Cozinha exige no mínimo 1 ponto de água fria, 1 ponto de esgoto para a pia e circuitos elétricos dedicados para equipamentos de alta potência.
Hidráulica
| Serviço | Código SINAPI | Unidade | Custo SP |
|---|---|---|---|
| Ponto de água fria (PPR 3/4”) | 89799 | un | R$ 165,20 |
| Ponto de esgoto DN50 (pia) | 89810 | un | R$ 141,60 |
| Instalação de pia de cozinha | 89835 | un | R$ 200,60 |
Uma cozinha padrão precisa de 1 a 2 pontos de água fria (pia + máquina de lavar louça, se houver) e 1 ponto de esgoto. Custo total de hidráulica: R$ 507 a R$ 672 (SINAPI, SP, janeiro/2026).
Se a tubulação do prédio for de ferro galvanizado — comum em edifícios construídos antes de 1995 — troque agora. O encanador pode sugerir reaproveitar, mas tubo de ferro galvanizado depois de 30 anos já apresenta corrosão interna e redução de vazão. Trocar agora custa R$ 500. Trocar depois de assentar porcelanato novo custa três vezes mais, porque precisa quebrar tudo de novo.
Elétrica
Cozinha é o cômodo que mais consome energia da casa. A NBR 5410 da ABNT exige circuitos dedicados para equipamentos acima de 1.500 W. Na prática, forno elétrico, cooktop por indução e lava-louças precisam de tomadas exclusivas com fiação de 4 mm² ou 6 mm².
| Serviço | Código SINAPI | Unidade | Custo SP |
|---|---|---|---|
| Ponto de tomada 2P+T 10A (2,5 mm²) | 91922 | un | R$ 141,60 |
| Ponto de tomada alta potência 30A (6 mm²) | 91928 | un | R$ 247,80 |
| Ponto de iluminação embutido | 91924 | un | R$ 133,34 |
| Disjuntor monopolar 10-20A | 91910 | un | R$ 41,30 |
Uma cozinha funcional precisa de pelo menos 5 pontos de tomada comuns, 2 de alta potência e 2 de iluminação, além de proteção por DR. Custo total de elétrica: R$ 1.220 a R$ 1.650 (SINAPI, SP, janeiro/2026).
Não aceite eletricista que propõe ligar forno elétrico e cooktop no mesmo circuito. Cada equipamento acima de 1.500 W precisa de circuito exclusivo e fiação dimensionada para a corrente. Isso não é preciosismo de engenheiro: é a norma técnica brasileira. Circuito sobrecarregado é a causa mais comum de incêndio elétrico em cozinhas.
Fase 3 — Revestimento: piso e parede
Depois de fechar a parede (chapisco, emboço), vem o revestimento. Cozinha exige material resistente a gordura, umidade e impacto — porcelanato esmaltado ou cerâmica de alta absorção são as escolhas mais comuns.
Preparo da superfície
Antes de assentar o revestimento, a parede precisa de chapisco e emboço:
| Serviço | Código SINAPI | Unidade | Custo SP |
|---|---|---|---|
| Chapisco 1:3 (preparo) | 87460 | m² | R$ 9,44 |
| Emboço/reboco paulista 20 mm | 87462 | m² | R$ 38,94 |
| Contrapiso de regularização 3 cm | 73920 | m² | R$ 37,76 |
Para 22 m² de parede + 8 m² de piso: chapisco R$ 283, emboço R$ 857, contrapiso R$ 302. Total preparo: R$ 1.442.
Assentamento
| Serviço | Código SINAPI | Unidade | Custo SP |
|---|---|---|---|
| Porcelanato 60x60 com argamassa AC-III | 87878 | m² | R$ 82,60 |
| Cerâmica 30x30 com argamassa colante AC-I | 87869 | m² | R$ 60,18 |
| Rejunte epóxi (juntas até 5 mm) | 87874 | m² | R$ 14,16 |
Optar por porcelanato em vez de cerâmica acrescenta R$ 22,42 por metro quadrado. Em 30 m² (piso + parede), isso dá R$ 673 a mais. O porcelanato vale o investimento na cozinha: absorve menos gordura e resiste melhor a manchas.
Custo de revestimento completo (porcelanato + rejunte, 30 m²): R$ 2.480 a R$ 2.900 incluindo preparo. Com cerâmica, cai para R$ 1.800 a R$ 2.230.
Fase 4 — Bancada
A bancada é o item mais visível da cozinha e o que mais varia de preço. Não existe composição SINAPI para bancadas de pedra. Os valores abaixo são de mercado, pesquisados em marmorarias de São Paulo em fevereiro/2026:
| Material | Faixa de preço (m²) | Instalação (m²) | Observação |
|---|---|---|---|
| Granito cinza (Andorinha, Corumbá) | R$ 250 – R$ 450 | R$ 100 – R$ 180 | Mais acessível, boa resistência |
| Granito preto (São Gabriel) | R$ 300 – R$ 500 | R$ 100 – R$ 180 | Popular, esconde manchas |
| Granito branco (Siena, Pitaya) | R$ 600 – R$ 1.000 | R$ 120 – R$ 200 | Claro, exige impermeabilização |
| Quartzo (Silestone/similar) | R$ 800 – R$ 1.500 | R$ 150 – R$ 250 | Industrializado, sem porosidade |
| Porcelanato pia (Neolith/Dekton) | R$ 1.200 – R$ 2.500 | R$ 200 – R$ 350 | Ultrarresistente, importado |
Uma bancada reta de 2,50 m com 60 cm de profundidade tem 1,50 m². Com granito preto São Gabriel, o custo fica entre R$ 600 e R$ 1.020 (material + instalação). Bancada em L ou ilha sai mais cara: a metragem sobe e entram recortes para pia e cooktop.
Bancada de granito branco precisa de impermeabilização com resina a cada 12 meses. Sem esse cuidado, mancha de café e azeite penetram na pedra e não saem mais. O custo de reimpermeabilização fica entre R$ 40 e R$ 80 por metro quadrado.
Fase 5 — Marcenaria e armários planejados
A marcenaria é, disparada, o item mais caro da reforma de cozinha. Um jogo completo de armários inferiores e superiores para uma cozinha de 8 m² exige entre 4 e 7 metros lineares de marcenaria.
Valores de mercado para São Paulo em 2026:
| Padrão | Material | Faixa por metro linear | Cozinha 5 m lineares |
|---|---|---|---|
| Econômico | MDP com borda de PVC | R$ 900 – R$ 1.300 | R$ 4.500 – R$ 6.500 |
| Médio | MDF com acabamento texturizado | R$ 1.300 – R$ 2.000 | R$ 6.500 – R$ 10.000 |
| Alto padrão | MDF com pintura laca ou vidro | R$ 2.000 – R$ 3.500 | R$ 10.000 – R$ 17.500 |
Esses valores incluem projeto, fabricação, ferragens (dobradiças com amortecedor, corrediças telescópicas) e instalação. Não incluem eletrodomésticos embutidos — forno, cooktop, coifa e lava-louças são por conta do proprietário.
Dica que economiza de 15% a 25%: armários modulados (Madesa, Itatiaia, Bartira) custam de R$ 600 a R$ 900 por metro linear. A desvantagem: não se adaptam a vãos irregulares nem aproveitam cantos como a marcenaria sob medida. Para cozinhas retangulares padrão, funcionam muito bem.
O prazo de produção é o gargalo da reforma. Marcenarias sob medida levam de 30 a 60 dias úteis para fabricar e instalar. Encomende antes de começar a demolição. Se deixar para a fase de revestimento, vai atrasar tudo.
Fase 6 — Pintura e acabamento final
A última fase é a pintura do teto e das áreas de parede que ficaram sem revestimento (acima dos armários, por exemplo). Cozinha pede tinta acrílica — a PVA não resiste à umidade e gordura do ambiente.
| Serviço | Código SINAPI | Unidade | Custo SP |
|---|---|---|---|
| Pintura acrílica interna, 2 demãos | 88489 | m² | R$ 28,32 |
| Forro de gesso convencional | 88630 | m² | R$ 68,44 |
| Forro drywall | 88640 | m² | R$ 82,60 |
Considerando 8 m² de teto (forro de gesso) e 6 m² de pintura acrílica (áreas expostas acima do revestimento): forro R$ 548 + pintura R$ 170. Total fase 6: R$ 718.
O forro de gesso acartonado (drywall) custa R$ 14,16/m² a mais que o convencional. A vantagem: permite embutir iluminação LED e esconder tubulação de coifa. Para cozinhas com coifa de duto, vale o investimento.
Resumo: custo total por fase
Somando todas as fases para uma cozinha de 8 m² com padrão médio em São Paulo:
| Fase | Custo estimado (SP) | % do total |
|---|---|---|
| 1. Demolição e entulho | R$ 790 | 4% |
| 2. Hidráulica | R$ 590 | 3% |
| 3. Elétrica | R$ 1.430 | 8% |
| 4. Revestimento (preparo + porcelanato) | R$ 2.480 | 14% |
| 5. Bancada (granito preto) | R$ 810 | 5% |
| 6. Marcenaria (MDF médio, 5 m lineares) | R$ 8.250 | 47% |
| 7. Pintura e forro | R$ 718 | 4% |
| 8. Louças, metais e acessórios | R$ 1.500 – R$ 2.500 | 9% |
| 9. Imprevistos (10%) | R$ 1.660 | 9% |
| Total | R$ 18.200 – R$ 19.700 | 100% |
A marcenaria representa quase metade do custo. Trocando armários sob medida por modulados, o total cai para R$ 13.500 a R$ 15.000. Com cerâmica em vez de porcelanato e granito cinza, baixa para R$ 11.000 a R$ 13.000.
Custo por estado: tabela SINAPI com multiplicadores
Os valores de mão de obra e material variam por estado. O SINAPI aplica multiplicadores regionais sobre a média nacional. São Paulo é o mais caro (1,18×), seguido por Rio de Janeiro (1,13×) e Distrito Federal (1,12×). Estados do Nordeste ficam entre 0,85× e 0,93×.
Aplicando o multiplicador sobre o custo total da reforma completa (sem marcenaria e bancada, que são preços de mercado):
| Estado | Multiplicador | Fases SINAPI | Marcenaria + bancada (mercado) | Total estimado |
|---|---|---|---|---|
| SP | 1,18 | R$ 7.670 | R$ 9.060 | R$ 18.400 |
| RJ | 1,13 | R$ 7.340 | R$ 8.700 | R$ 17.700 |
| DF | 1,12 | R$ 7.280 | R$ 8.800 | R$ 17.750 |
| MG | 1,00 | R$ 6.500 | R$ 7.800 | R$ 15.900 |
| PR | 1,07 | R$ 6.960 | R$ 8.100 | R$ 16.700 |
| BA | 0,93 | R$ 6.050 | R$ 7.200 | R$ 14.850 |
| CE | 0,91 | R$ 5.920 | R$ 7.000 | R$ 14.520 |
| PI | 0,85 | R$ 5.530 | R$ 6.500 | R$ 13.630 |
A marcenaria e a bancada também variam por região, mas sem tabela oficial. Os valores acima estimam redução proporcional ao custo de vida local — marmorarias e marcenarias do interior de Minas cobram de 20% a 30% menos que São Paulo capital.
Quanto tempo demora e como não estourar o orçamento
Uma reforma completa de cozinha leva de 6 a 10 semanas, dependendo do prazo da marcenaria. O cronograma típico:
Semanas 1-2: demolição, remoção de entulho, abertura de rasgos para hidráulica e elétrica.
Semanas 2-3: instalação de pontos hidráulicos e elétricos, fechamento de rasgos, chapisco e emboço.
Semanas 3-5: contrapiso, assentamento de revestimento (piso primeiro, depois paredes), rejunte.
Semanas 5-6: bancada de pedra, pintura, forro.
Semanas 6-8: marcenaria (instalação dos armários, bancada de apoio, prateleiras).
Semanas 8-10: louças, metais, eletrodomésticos, limpeza final.
Três regras para não estourar o orçamento:
Encomende a marcenaria antes de começar a demolição. O prazo de fabricação é de 30 a 60 dias úteis. Se esperar a obra avançar para encomendar, a cozinha fica pronta mas sem armário — e você vai cozinhar no micro-ondas por dois meses.
Reserve 10% para imprevistos. Ao abrir parede de cozinha antiga, é comum encontrar tubulação comprometida, fiação subdimensionada ou infiltração invisível. Cada surpresa custa tempo e dinheiro.
Peça orçamento detalhado por fase, não valor fechado. Empreiteiro que dá preço de “reforma completa” sem discriminar fases quase sempre esquece alguma coisa — e você descobre no meio da obra, quando não tem como voltar atrás.
Se a reforma for em apartamento, a NBR 16280 da ABNT exige plano de reforma — conforme orientação do CAU/BR — com ART ou RRT assinada por engenheiro ou arquiteto. O condomínio pode (e deve) exigir essa documentação antes de autorizar a obra. Uma ART simples custa entre R$ 250 e R$ 800.
Perguntas frequentes
Quanto custa reformar uma cozinha pequena de 6 m²?
Em São Paulo, com porcelanato, bancada de granito e marcenaria sob medida, custa entre R$ 15.000 e R$ 18.000. A economia em relação a uma de 8 m² é menor do que se imagina. Os custos fixos (quadro elétrico, pontos hidráulicos, caçamba) não mudam com a metragem.
Preciso de engenheiro ou arquiteto para reformar a cozinha?
Se a reforma envolver mudança de ponto hidráulico, elétrico ou demolição de parede, a NBR 16280 recomenda responsável técnico com ART ou RRT. Em condomínios, essa documentação é obrigatória. Reformas cosméticas (pintura, troca de puxadores) não exigem.
Cozinha planejada modulada ou sob medida?
Armários modulados custam de R$ 600 a R$ 900 por metro linear, de 30% a 50% menos que sob medida. Funcionam bem para cozinhas retangulares com medidas padrão. Se a cozinha tem vãos irregulares ou canto em L, a marcenaria sob medida compensa pelo aproveitamento do espaço.
O que encarece mais a reforma de cozinha?
A marcenaria sob medida, representando até 47% do orçamento no padrão médio. Depois vem o revestimento (14%) e a elétrica (8%). Trocar sob medida por modulada e porcelanato por cerâmica reduz o custo total em 30% a 40%.
Dá para reformar a cozinha sem quebrar tudo?
Sim. Uma reforma parcial — piso sobre piso, pintura, bancada nova e puxadores — custa entre R$ 8.000 e R$ 12.000 e leva 2 a 3 semanas. A limitação: não resolve problemas de hidráulica e elétrica escondidos na parede.