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profissional 11 min de leitura

Dissídio da construção civil em 2026: reajuste por estado, piso salarial por categoria e benefícios obrigatórios da convenção coletiva

Dissídio da construção civil 2025/2026: reajuste de 5,5% a 7,3% por estado, piso de R$ 2.189 (SP) a R$ 2.839 (PR) para pedreiro. Veja tabela e benefícios.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Trabalhadores brasileiros da construção civil reunidos em assembleia sindical ao ar livre em São Paulo, com faixas e cartazes de campanha salarial
O reajuste do dissídio 2025/2026 variou de 5,5% a 7,3% dependendo do estado — e muda o custo de toda obra no Brasil

Se você trabalha na construção civil ou vai contratar uma obra em 2026, o dissídio coletivo da categoria afeta diretamente o seu bolso. O reajuste de 2025/2026 ficou entre 5,5% e 7,3% dependendo do estado — acima da inflação em todas as regiões. Em São Paulo, o piso do pedreiro subiu para R$ 2.664,75 por mês. No Rio, o reajuste foi de 5,5% retroativo a março. No Paraná, 6% com vale-compras de R$ 705 por mês.

Dissídio da construção civil em 2026 é isso: a negociação entre sindicatos que define quanto cada profissional da obra vai ganhar no mínimo, quais benefícios a empresa é obrigada a pagar e quando o reajuste entra em vigor. Se você é trabalhador, precisa saber se está recebendo o piso correto. Se é dono de obra, precisa recalcular o orçamento.

O que é dissídio e como funciona na construção civil

Dissídio é o nome popular para a negociação coletiva entre sindicatos de trabalhadores e sindicatos patronais. Na prática, o termo correto varia:

A convenção coletiva de trabalho (CCT) é o acordo firmado entre o sindicato dos trabalhadores (como o SINTRACON-SP) e o sindicato dos empregadores (como o SindusCon-SP). Ela vale para toda a categoria naquela região. É o que a CLT define no artigo 611.

O acordo coletivo de trabalho (ACT) é negociado entre o sindicato e uma empresa específica. Tem alcance menor, mas prevalece sobre a convenção quando existe conflito entre os dois.

Já o dissídio coletivo propriamente dito acontece quando as partes não chegam a acordo na mesa de negociação e o caso vai para a Justiça do Trabalho. O tribunal então impõe uma sentença normativa com força de lei.

Na construção civil, a maioria dos estados resolve tudo por convenção coletiva — sem precisar ir ao tribunal. O resultado prático é o mesmo: novos pisos salariais, percentual de reajuste e lista de benefícios obrigatórios que passam a valer a partir da data-base.

Data-base da construção civil por estado

Cada estado tem sua própria data-base — o mês em que a convenção coletiva começa a valer. Isso significa que o reajuste não acontece no mesmo período em todo o Brasil.

Data-base da convenção coletiva da construção civil por estado
Estado Data-base Sindicato dos trabalhadores
São Paulo (capital e região) 1º de maio SINTRACON-SP
Rio de Janeiro 1º de março SINTRACONST-Rio
Minas Gerais (BH e região) 1º de maio SINTRACON-MG / FETICOM-MG
Paraná (Curitiba e região) 1º de junho SINTRACON-Curitiba
Bahia (Salvador e região) 1º de janeiro SINTRACOM-BA
Goiás 1º de maio SINTRACOM-GO
Distrito Federal 1º de maio STICOMBE-DF

Se você está orçando uma obra que começa em abril e o dissídio da sua região é em maio, precisa prever o reajuste no orçamento. Construtora que ignora a data-base do dissídio leva susto na folha de pagamento.

Comparação do percentual de reajuste do dissídio da construção civil por estado em 2025/2026: Goiás 7,3%, São Paulo 6%, Paraná 6%, Bahia 5,5%, Rio de Janeiro 5,5%, Distrito Federal 5,5%
Reajuste do dissídio 2025/2026 por estado — Goiás liderou com 7,3%, enquanto RJ, BA e DF ficaram em 5,5% (fontes: Sinduscon regionais, 2025)

Reajuste 2025/2026 por estado

Os reajustes negociados nas convenções coletivas de 2025 foram todos acima da inflação acumulada (INPC). Boa notícia para quem trabalha na obra. Número a mais no orçamento para quem contrata.

São Paulo — reajuste de 6% sobre os salários de 30 de abril de 2025, válido a partir de 1º de maio. Para salários acima de R$ 7.818,84, o aumento é fixo de R$ 469,13. A inflação acumulada na data-base estava em 4,2% (INPC), o que garante ganho real de quase 2 pontos percentuais. O acordo foi assinado em 20 de maio entre SindusCon-SP e SINTRACON-SP.

Rio de Janeiro — reajuste de 5,5% retroativo a março de 2025. O SINTRACONST-Rio negociou ganho real de aproximadamente 1% acima da inflação. A convenção tem validade até fevereiro de 2027.

Paraná (Curitiba e região) — reajuste de 6% nos pisos e 5% para salários acima dos pisos (até R$ 6.600). A inflação acumulada na data-base de 1º de junho estava em 3,34% (INPC/IBGE), resultando em ganho real de 2,66%.

Bahia (Salvador e região) — reajuste geral de 5,5%, com algumas funções chegando a 7%. Os patrões ofereceram apenas 4,77% (inflação pura), mas a mediação da Superintendência Regional do Trabalho empurrou o acordo para cima.

Goiás — reajuste de 7,32% para trabalhadores sem piso definido, válido a partir de maio de 2025. Foi o maior percentual entre os estados pesquisados. O servente ficou com piso de 2% acima do salário mínimo reajustado.

Distrito Federal — reajuste de 5,50% a partir de 1º de maio de 2025, com vigência até abril de 2027. A convenção entre Sinduscon-DF e STICOMBE criou novos pisos para categorias que antes não tinham referência formal.

Na ponta do lápis: um pedreiro que ganhava R$ 2.500 em São Paulo e recebeu 6% de reajuste passou para R$ 2.650. Num canteiro com 10 pedreiros, são R$ 1.500 a mais por mês na folha — sem contar encargos.

Piso salarial 2025/2026 por categoria e estado

O piso salarial é o menor valor que a empresa pode pagar ao trabalhador daquela categoria. Abaixo do piso da convenção coletiva, a empresa está irregular — mesmo que pague acima do salário mínimo nacional.

Piso salarial mensal da construção civil por categoria e estado — convenções coletivas 2025/2026
Categoria São Paulo Paraná Distrito Federal
Servente / Ajudante R$ 2.189,97 R$ 2.100* R$ 1.639,00
Meio-oficial R$ 2.427,36 R$ 2.400* R$ 1.738,00
Oficial (pedreiro, pintor, eletricista) R$ 2.664,75 R$ 2.839,77 R$ 2.424,40
Instalações especiais R$ 3.192,39

*Valores aproximados do Paraná baseados na tabela 2024/2025 com reajuste de 6%.

A diferença entre estados é gritante. O servente em São Paulo ganha piso de R$ 2.189 — no DF, são R$ 1.639. São R$ 550 de diferença por mês para o mesmo trabalho braçal. O custo de vida explica parte da diferença, mas não tudo.

Para quem gerencia obra: o piso por hora também muda o cálculo de empreitada. Em SP, o pedreiro qualificado tem piso de R$ 12,11 por hora. Uma parede de alvenaria que leva 8 horas custa no mínimo R$ 96,88 só de mão de obra — sem material, sem encargos, sem BDI.

Gráfico de barras comparando o piso salarial por categoria na construção civil em São Paulo: servente R$ 2.189, meio-oficial R$ 2.427, oficial R$ 2.664, instalações especiais R$ 3.192
Piso salarial da construção civil em São Paulo por categoria — dados da CCT SINTRACON-SP/SindusCon-SP 2025/2026

Benefícios obrigatórios da convenção coletiva

Além do piso salarial, a convenção coletiva define benefícios que toda empresa da construção civil é obrigada a fornecer. Não são opcionais — descumprir gera passivo trabalhista.

Vale-refeição ou alimentação no canteiro — Em São Paulo, o vale-refeição é de R$ 31,80 por dia trabalhado. No Rio de Janeiro, o valor é de R$ 31,65 por dia (ou R$ 696,30/mês via vale-alimentação). A empresa pode optar por fornecer refeição no local, mas com cardápio mínimo definido em convenção.

Cesta básica ou vale-compras — SP determina cesta básica mensal de R$ 485,00. Em Curitiba, o benefício é chamado de vale-compras e subiu 18,38%, chegando a R$ 705,00 por mês. O vale-compras do Paraná é o mais generoso entre os estados pesquisados.

Seguro de vida em grupo — Obrigatório em todas as convenções. O empregador paga, sem desconto do trabalhador. No Rio de Janeiro, a cobertura por morte chega a R$ 27.430. O DF prevê cobertura mínima de R$ 21.400. As coberturas incluem morte por qualquer causa, invalidez permanente e auxílio funeral.

Café da manhã — Convenções de SP, RJ, PR e outros estados obrigam fornecimento de café da manhã no canteiro de obra. Em Curitiba, o valor por dia subiu de R$ 6,50 para R$ 7,50 e foi estendido aos trabalhadores administrativos.

Vale-transporte — Obrigatório pela CLT (Lei 7.418/85), mas a convenção coletiva pode melhorar as condições. Em algumas regiões, o desconto máximo permitido do trabalhador é inferior aos 6% da CLT.

EPI — Todo equipamento de proteção individual é por conta da empresa, conforme NR-6 e NR-18. Bota, capacete, luva, óculos, protetor auricular. A convenção reforça a obrigação e às vezes adiciona itens específicos — no Rio, passaram a exigir repelente de insetos no canteiro.

Na prática, esses benefícios somam entre R$ 800 e R$ 1.200 por mês por trabalhador, dependendo do estado. Uma construtora em São Paulo com 20 funcionários gasta entre R$ 16 mil e R$ 24 mil por mês só em benefícios obrigatórios da convenção — fora salário e encargos.

Como consultar a convenção coletiva da sua região

A convenção coletiva é documento público. Qualquer pessoa pode consultar gratuitamente. Existem três caminhos:

1. Sistema Mediador do MTE — O Ministério do Trabalho mantém o sistema Mediador, onde todas as convenções e acordos coletivos registrados ficam disponíveis. Acesse, filtre por CNPJ do sindicato ou por categoria profissional, e baixe o documento completo em PDF.

2. Site do sindicato dos trabalhadores — SINTRACON-SP, SINTRACONST-Rio, SINTRACON-Curitiba e os demais sindicatos regionais publicam as convenções vigentes em seus sites. Geralmente na aba “Convenções” ou “Tabelas salariais”.

3. Site do sindicato patronal — SindusCon-SP, Sinduscon-Rio, Sinduscon-PR e equivalentes estaduais também disponibilizam os documentos. Às vezes com análises de impacto e orientações para empresas.

Se a empresa onde você trabalha paga abaixo do piso ou não fornece os benefícios listados na convenção, procure o sindicato da sua região. Irregularidade na convenção coletiva gera multa para a empresa e diferenças salariais retroativas para o trabalhador.

Impacto do dissídio no custo da obra

O dissídio não muda só o salário na ponta. O custo total de um trabalhador na construção civil inclui encargos sociais que variam de 80% a 120% do salário-base — dependendo se a empresa está no regime de desoneração da folha ou não.

Botando na conta: um pedreiro com piso de R$ 2.664,75 em São Paulo custa para a empresa entre R$ 4.796 e R$ 5.862 por mês com encargos (INSS, FGTS, 13º proporcional, férias + 1/3, multa rescisória provisionada). Some os benefícios obrigatórios da convenção — vale-refeição, cesta básica, seguro de vida, café da manhã — e o custo total passa de R$ 6.000 por mês por pedreiro.

Se o dissídio deu 6% de reajuste e você tem 15 profissionais na obra, a folha mensal sobe cerca de R$ 4.500 só com o percentual do reajuste — sem contar o aumento proporcional dos encargos sobre o novo salário.

Para quem está orçando uma construção de casa ou reforma, o impacto do dissídio no custo da mão de obra aparece de duas formas:

O CUB (Custo Unitário Básico de Construção) é recalculado mensalmente pelos Sinduscon regionais e reflete os novos pisos salariais. Quando sai o dissídio de maio em SP, o CUB de junho já sobe — e todo orçamento indexado ao CUB sobe junto.

O SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), mantido pela Caixa e pelo IBGE, também é atualizado mensalmente. As composições de custo de mão de obra no SINAPI usam os pisos da convenção coletiva vigente.

Se sua obra vai durar 12 meses e cruza a data-base do dissídio no meio do caminho, o orçamento original ficou defasado. O empreiteiro sério prevê o reajuste na proposta. O empreiteiro que não prevê vai pedir aditivo — ou vai entregar serviço com qualidade menor para compensar.

Perguntas frequentes

Dissídio e convenção coletiva são a mesma coisa?

Não exatamente. A convenção coletiva é o acordo negociado entre sindicatos. O dissídio coletivo é a decisão da Justiça do Trabalho quando não há acordo. Na prática do dia a dia, as pessoas usam “dissídio” para se referir ao reajuste anual da categoria — mas tecnicamente só é dissídio quando vai para o tribunal.

Meu patrão pode pagar abaixo do piso da convenção coletiva?

Não. O piso da convenção coletiva prevalece sobre o salário mínimo nacional quando for mais alto. Em São Paulo, o servente tem piso de R$ 2.189,97 — pagar R$ 1.518 (salário mínimo) para um servente é irregular e gera passivo trabalhista.

Trabalho como autônomo. O dissídio vale para mim?

A convenção coletiva vale para trabalhadores com vínculo empregatício (CLT). Se você é autônomo ou MEI, o piso da convenção não se aplica diretamente. Mas serve como referência de mercado para cobrar suas diárias — e muitos mestres de obras usam o piso sindical como base para calcular o valor do dia.

Quando sai o próximo dissídio?

Depende do estado. Em São Paulo (data-base maio), a convenção 2025/2026 já está vigente. O próximo reajuste será negociado entre março e maio de 2026, com vigência a partir de 1º de maio de 2026. Acompanhe pelo site do sindicato da sua região ou pelo Sistema Mediador do MTE.

O dissídio retroage? Recebo diferenças salariais?

Sim, quando a negociação demora e o acordo é assinado depois da data-base. Em São Paulo, o reajuste de maio de 2025 foi assinado em 20 de maio — as diferenças de 1º a 20 de maio devem ser pagas retroativamente. No Rio, o reajuste é retroativo a março, então os meses entre março e a data de assinatura geram diferenças.

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