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ART para reforma: quando é obrigatório, quanto custa a taxa do CREA e o que acontece se você não tiver

ART é obrigatória em reforma que mexe em estrutura, elétrica ou hidráulica. Taxa do CREA em 2026: R$ 108 a R$ 285. Veja quando dispensa e quais multas.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Engenheira civil brasileira com capacete e colete de segurança inspecionando reforma residencial em apartamento de São Paulo, prancheta na mão
Reforma estrutural sem ART é bomba-relógio — e o proprietário paga a conta se algo der errado

Não comece nenhuma reforma estrutural sem ART. Essa é a regra que salva seu patrimônio, sua segurança e seu bolso. A ART — Anotação de Responsabilidade Técnica — é o documento que vincula um engenheiro civil registrado no CREA à sua obra. Sem ela, ninguém responde tecnicamente pelo que foi feito. Se a laje trincar, a parede ceder ou a instalação elétrica pegar fogo, você fica sozinho.

A taxa da ART em 2026 é de R$ 108,39 para contratos de até R$ 15 mil e R$ 285,59 acima desse valor (CONFEA, Decisão Plenária 0450/2025). Pra uma reforma que pode custar R$ 15 mil, R$ 25 mil ou R$ 40 mil, gastar pouco mais de R$ 100 com a taxa de ART é seguro de vida da obra.

O que é ART e por que ela existe

ART é a sigla para Anotação de Responsabilidade Técnica. É o documento criado pela Lei 6.496/77 que obriga todo serviço de engenharia a ter um responsável técnico identificado. O profissional registra a ART no sistema do CREA, paga a taxa, e a partir daí responde legalmente por tudo que assinou — projeto, execução, laudo, vistoria.

Na prática, a ART funciona como um contrato de responsabilidade. Se o pedreiro demolir uma parede que era estrutural e o prédio trincar, existe um engenheiro identificado que assumiu a responsabilidade técnica daquela reforma. Ele vai responder civil e criminalmente. Sem ART, o proprietário fica sem ninguém para acionar — e ainda pode ser responsabilizado por danos a terceiros.

A regulamentação mais recente é a Resolução CONFEA 1.137/2023, que substituiu a antiga Resolução 1.025/2009 e trouxe a possibilidade de assinatura eletrônica da ART. Antes era só no papel. Hoje o engenheiro registra online pelo sistema do CREA do estado e a ART fica vinculada ao CPF do profissional e ao endereço da obra.

Quando a ART é obrigatória na reforma

A NBR 16280, da ABNT, define as regras para reformas em edificações. Ela é clara: qualquer reforma que afete estrutura, sistemas prediais ou segurança da edificação precisa de plano de reforma assinado por responsável técnico com ART ou RRT registrado.

Na prática, isso significa que você precisa de ART sempre que a reforma mexer no esqueleto ou nas entranhas do imóvel. Veja os casos mais comuns:

Demolição de parede — estrutural ou não. Antes de derrubar qualquer parede, um engenheiro precisa avaliar se ela sustenta carga. Parede que parece simples pode ser pilar disfarçado. Já cobri caso de apartamento em São Paulo onde o morador derrubou uma parede “sem importância” e rachou a laje do vizinho de baixo.

Abertura de vão ou porta — integrar sala com cozinha, abrir janela nova, ampliar porta. Tudo isso altera a distribuição de carga da alvenaria. Precisa de cálculo estrutural.

Reforma elétrica ou hidráulica — trocar o quadro de distribuição, puxar circuitos novos, refazer ramais de água ou esgoto. Quando mexe na infraestrutura, precisa de ART de eletricista ou encanador habilitado.

Construção novacasa, edícula, muro, piscina. Qualquer porte. Não existe construção nova legal sem ART.

Impermeabilização de laje — afeta o sistema predial coletivo em condomínios. Uma impermeabilização mal feita pode causar infiltração nos andares de baixo.

Reforço de fundação ou laje — exige cálculo estrutural obrigatório, com viga e pilar dimensionados por engenheiro.

Em condomínios, a regra é ainda mais rígida. O morador precisa apresentar a ART ao síndico antes de começar qualquer obra que afete estrutura ou sistemas coletivos. Se não apresentar, o síndico pode embargar a obra e acionar a prefeitura, conforme a própria NBR 16280. Para entender a norma em profundidade, veja o artigo completo sobre a ABNT NBR 16280 e reformas.

Infográfico comparando reformas que precisam de ART (demolição, abertura de vão, elétrica, hidráulica, construção nova) versus reformas dispensadas (pintura, troca de louça, torneira, piso sobre piso)
A regra é simples: mexeu em estrutura, elétrica ou hidráulica, precisa de ART ou RRT (NBR 16280:2022)

Quando NÃO precisa de ART

Nem toda reforma precisa de engenheiro. Reformas puramente estéticas estão dispensadas de ART e de plano de reforma formal. O senso comum funciona aqui: se não mexe no esqueleto nem nas entranhas do prédio, não precisa.

Pintar paredes e teto, trocar louças sanitárias sem mover o ramal de esgoto, instalar chuveiro novo no mesmo ponto, colocar piso sobre piso sem demolir o contrapiso, trocar puxadores e fechaduras, pendurar prateleiras. Nada disso exige ART.

Mas atenção: em condomínio, mesmo reforma simples precisa ser comunicada ao síndico. A NBR 16280 exige comunicação prévia para qualquer tipo de obra, mesmo as que não afetam estrutura. Você não precisa de ART para pintar a casa, mas precisa avisar a administração.

Tem uma zona cinza que confunde muito proprietário. Trocar o revestimento do banheiro parece simples, mas se precisar demolir a parede com martelete e refazer a impermeabilização, já muda de categoria. O melhor critério: na dúvida, consulte um engenheiro antes de começar. A consulta é mais barata que o problema.

Quanto custa a ART em 2026

A taxa de ART é tabelada pelo CONFEA e reajustada todo ano pelo INPC. Em 2026, o reajuste foi de 5,20% (Decisão Plenária 0450/2025). Os valores são os mesmos em todos os estados — a tabela é nacional.

Para obras e serviços, a tabela A tem duas faixas:

Tabela de taxas ART 2026 por faixa de valor de contrato
Faixa de contrato Taxa ART (2026) Exemplo de obra
Até R$ 15.000 R$ 108,39 Reforma de banheiro simples, troca de quadro elétrico
Acima de R$ 15.000 R$ 285,59 Reforma completa de apartamento, construção de edícula

Para serviços de rotina (a tabela B), os valores começam em R$ 2,10 para contratos de até R$ 500 e sobem progressivamente. Mas reforma residencial quase sempre cai na tabela A.

O valor da ART é a taxa que o engenheiro paga ao CREA para registrar o documento. Isso não inclui os honorários do profissional. O engenheiro cobra separado pela visita técnica, pelo projeto, pela fiscalização. A taxa de ART é só a parte burocrática.

Na ponta do lápis: uma reforma de banheiro que custa R$ 8.500 a R$ 35.000 precisa de ART de R$ 108,39 ou R$ 285,59, dependendo do valor do contrato. Representa menos de 2% do custo total. É barato demais pra arriscar ficar sem.

Gráfico comparativo de taxas ART do CREA e RRT do CAU em 2026: ART de R$ 108,39 a R$ 285,59, RRT valor único de R$ 130,64
A taxa de ART custa entre R$ 108 e R$ 285 em 2026 — menos de 2% do custo de uma reforma média (CONFEA/CAU)

ART vs RRT — qual você precisa

Se o responsável técnico é engenheiro, ele emite ART pelo CREA. Se é arquiteto, emite RRT pelo CAU. São documentos equivalentes, de conselhos diferentes.

A diferença prática: o engenheiro assina projetos estruturais, elétricos, hidráulicos e de fundação. O arquiteto assina projetos arquitetônicos, de interiores, paisagismo e urbanismo. Em muitas reformas residenciais, você precisa dos dois.

Exemplo concreto. Você vai reformar o apartamento: integrar sala com cozinha, trocar todo o revestimento, refazer a elétrica e redesenhar o layout dos móveis. O arquiteto emite o RRT para o projeto de interiores e layout. O engenheiro emite a ART para a demolição da parede, o cálculo estrutural e a instalação elétrica. São dois documentos, de dois profissionais, para a mesma obra.

O RRT custa R$ 130,64 em 2026 (valor único, qualquer contrato — CAU/BR, Ato Declaratório 22/2025). É mais simples que a ART: taxa fixa, sem faixa por valor de contrato.

Se a reforma é só estrutural (demolição, reforço de laje, fundação), basta a ART do engenheiro. Se é só de interiores sem mexer em estrutura, basta o RRT do arquiteto. Se mexe nos dois, precisa de ART e RRT.

Como verificar se o profissional tem CREA ativo

Antes de contratar qualquer engenheiro para a sua reforma, verifique se ele tem registro ativo no CREA. É de graça e leva 2 minutos.

No CREA-SP, acesse a consulta pública de profissionais. Preencha o nome ou número de registro, resolva o reCAPTCHA e clique na lupa. O sistema mostra a situação do registro (ativo, suspenso, cancelado) e o título profissional.

Para arquitetos, a consulta é pelo portal do CAU/BR — mesmo processo: nome ou CPF do profissional.

Três sinais de alerta pra ficar atento:

O profissional se recusa a emitir ART. Se ele diz que “não precisa” ou que “custa caro demais”, desconfie. ART é obrigação legal, não favor.

Registro suspenso ou cancelado. Profissional com registro irregular no CREA não pode assinar ART. Qualquer documento que ele emitir é nulo.

ART emitida depois da obra. A ART deve ser registrada antes ou no início do serviço, não depois. ART retroativa é sinal de que ninguém acompanhou a obra de fato.

O que acontece se fizer reforma sem ART

As consequências de reformar sem ART vão de multa a processo criminal. Não é exagero.

Multa do CREA. Se o CREA flagra uma obra sem responsável técnico, aplica multa por exercício ilegal da profissão. A Lei 5.194/66 prevê penalidades tanto para o profissional irregular quanto para quem contratou.

Perda da garantia legal. O Código Civil (art. 618) dá 5 anos de garantia sobre a solidez e a segurança de qualquer obra. Mas sem ART, você não tem como provar quem foi o responsável técnico — e perde a possibilidade de acionar a garantia.

Seguro não cobre. Se acontecer um sinistro (desabamento, incêndio por curto-circuito, inundação por tubulação mal instalada), a seguradora pode recusar a cobertura se a obra não tinha ART. Sem responsável técnico = obra irregular = risco não coberto.

Problema com alvará e habite-se. Tentar regularizar o imóvel depois sem ART é dor de cabeça. A prefeitura pode exigir laudo técnico retroativo, e em casos extremos, determinar a demolição do que foi feito sem aprovação.

Responsabilidade civil por danos a terceiros. Se a sua reforma sem ART causar dano ao vizinho — infiltração, trinca, desabamento parcial — você responde sozinho. Com ART, o engenheiro divide a responsabilidade.

Uma reforma de cozinha de R$ 25 mil sem ART pode gerar um problema de R$ 100 mil se algo der errado. A conta não fecha.

Perguntas frequentes

Reforma de banheiro precisa de ART? Se a reforma mexe em hidráulica (mudar ponto de chuveiro, trocar ramal de esgoto, refazer impermeabilização), sim. Se é só trocar louça e pintar, não. A calculadora de reforma ajuda a estimar o custo total incluindo a taxa.

Quem paga a ART — o proprietário ou o engenheiro? O proprietário. A taxa de ART faz parte do custo da obra. O engenheiro registra, mas quem arca com o valor de R$ 108,39 ou R$ 285,59 é o contratante. Alguns profissionais já incluem no orçamento.

Posso usar a ART de um empreiteiro? Não. Empreiteiro não emite ART. Só engenheiros e técnicos registrados no CREA podem emitir. Se o empreiteiro ou mestre de obras diz que “resolve isso”, ele está fazendo exercício ilegal da profissão.

ART tem validade? A ART vale enquanto durar o contrato descrito nela. Se o contrato é para a reforma completa do apartamento (3 meses de obra), a ART cobre esse período. Depois da conclusão, a responsabilidade do engenheiro segue por 5 anos conforme o Código Civil (art. 618).

Preciso de ART para instalar ar-condicionado? Depende. Instalar um split na parede com furo para tubulação não exige ART na maioria dos casos. Mas se a instalação inclui circuito elétrico dedicado no quadro de distribuição, pode exigir. Na dúvida, peça orientação de um eletricista habilitado.

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